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Madeira

"Há culpas de parte a parte"

Ruela e Rúben Santos debatem falhas na comunicação da economia social

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"Quem falha mais: os media ou as associações?" A pergunta de Rúben Santos, jornalista e chefe de redacção do DIÁRIO, lançou o debate. Maria João Ruela respondeu sem rodeios: "Acho que há, por variadíssimas razões, culpas de parte a parte."

A conversa, esta tarde, no 5.º Congresso Mais Social, aprofundou o diagnóstico deixado pela oradora sobre a pouca visibilidade da economia social nos media. As instituições nem sempre conseguem explicar o que fazem, apresentar dados ou mostrar resultados. Os media, por seu lado, enfrentam falta de recursos e uma pressão crescente para captar audiências.

"Eu acho que [as histórias e os números] são ambos importantes", disse Ruela, quando questionada sobre o que pesa mais na comunicação. "Às vezes, uma história bem contada, uma história de pessoas, com pessoas e sobre pessoas, vale mais" do que muitos dados.

Ruela apontou também responsabilidades a quem financia o sector, defendendo maior exigência na transparência e prestação de contas.

"O próprio Estado dá dinheiro e financia, mas depois também não procura muito [...] ver como é que estão as coisas no terreno", afirmou, criticando uma fiscalização que pode dar mais atenção a aspectos formais do que à qualidade do atendimento.

A imprensa regional, destacou Rúben Santos, tem a vantagem da proximidade. Mas Ruela lembrou que o desafio é fazer com que essas histórias ultrapassem o público directamente envolvido.

Deu como exemplo a questão das pessoas em situação de sem-abrigo, que ganhou maior visibilidade pública durante o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa e passou a gerar novas respostas. "Conseguiu-se que houvesse um 'elan' nacional em torno de uma questão", recordou.

As redes sociais não substituem, contudo, o jornalismo. Para Ruela, aquilo que as instituições publicam pode ser o ponto de partida para uma investigação: "Vão investigar como é que estão a fazer aquilo [...] e isso é notícia."

No essencial, ficou um desafio dos dois lados: as instituições têm de comunicar melhor o seu impacto e os media têm de procurar o que está para lá da notícia imediata.