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ZERO quer avaliar fim do gás fóssil na produção eléctrica até 2035

Foto Depositphotos
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A associação ambientalista ZERO defende que a futura Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia deve avaliar se Portugal pode deixar de utilizar gás natural de origem fóssil para produzir electricidade até 2035, recorrendo a uma combinação de baterias, bombagem hidroeléctrica, outras soluções de armazenamento, renováveis, gestão da procura e interligações.

A posição é assumida hoje, no último dia da consulta pública da proposta de Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia. Segundo a ZERO, o documento apresenta uma análise técnica das necessidades futuras do sistema eléctrico, mas mantém cerca de 2.880 MW de centrais a gás disponíveis em 2040, sem estudar com o mesmo detalhe em que medida essa capacidade poderia ser substituída. Em algumas simulações, o gás continua a representar cerca de 5% da electricidade consumida em 2040.

A associação propõe que sejam comparados dois cenários: a manutenção das actuais centrais a gás até 2040 e um cenário de abandono do gás fóssil na produção eléctrica até 2035. A análise deverá, segundo a ZERO, calcular a capacidade adicional de armazenamento necessária, os custos de investimento e operação, o impacto na factura dos consumidores e a capacidade de garantir o abastecimento durante todo o ano.

Mais armazenamento

O Plano de Acção prevê para 2030 cerca de 3,9 GW de bombagem hidroeléctrica e 3 GW de baterias, valores que deverão subir para 5,26 GW e 4,5 GW, respectivamente, em 2040. A ZERO considera, contudo, que as metas não devem ser definidas apenas em termos de potência, mas também de energia armazenável, expressa em GWh, e do número de horas ou dias durante os quais essa energia pode ser disponibilizada.

A associação defende o estudo de diferentes combinações de armazenamento de curta, média e longa duração. As baterias poderão responder às variações diárias da produção solar e eólica, enquanto a bombagem poderá assegurar o armazenamento de maiores quantidades de energia durante períodos mais prolongados. Para situações de vários dias ou períodos sazonais com menor produção renovável, a ZERO quer que sejam avaliadas tecnologias de armazenamento de longa duração.

Barragens avaliadas individualmente

A bombagem hidroeléctrica deverá também ser analisada à luz das alterações climáticas e da disponibilidade futura de água. A ZERO propõe que sejam identificadas as barragens com potencial para bombagem e avaliadas individualmente quanto à capacidade de armazenamento, custos, impactes ambientais e eventuais restrições legais.

Entre os exemplos apontados está a Barragem do Alto Lindoso, no Gerês. A associação defende que os projectos sejam testados tendo em conta cenários de seca plurianual, a preservação dos caudais ecológicos e a prioridade ao abastecimento público.

A ZERO considera ainda que devem ser estudadas soluções de armazenamento de longa duração, incluindo a produção de hidrogénio renovável em períodos de elevada disponibilidade de electricidade renovável, para posterior utilização na produção eléctrica. A análise deverá abranger locais como Sines, Tapada do Outeiro, Carregado, Pego e Lares.

Consumir quando há mais produção

A associação entende que o armazenamento não deve ser a única resposta aos excedentes de produção renovável. Nos cenários analisados, a electricidade renovável que poderá não ser aproveitada em 2030 situa-se entre 2,7 e 4,3 TWh, sobretudo durante períodos de elevada produção solar.

A ZERO defende, por isso, uma gestão mais flexível dos consumos, deslocando para essas horas carregamentos de veículos eléctricos, funcionamento de bombas de calor, produção de frio ou utilização de electrolisadores. Para tal, propõe tarifas de acesso às redes que incentivem o consumo nos períodos de maior disponibilidade de energia renovável, sem provocar congestionamentos.

A Estratégia deverá ainda acompanhar a evolução da electrificação da indústria, dos transportes e dos edifícios e a instalação de novos grandes consumidores de electricidade. A ZERO defende que o documento seja revisto até 2030 e articulado com a Estratégia Industrial Verde, incluindo a possibilidade de armazenamento distribuído junto dos grandes consumidores.

Para a associação, a Estratégia em discussão deve permitir determinar quanto armazenamento será necessário para garantir um sistema eléctrico seguro, assente em fontes renováveis e progressivamente sem recurso ao gás natural de origem fóssil.