Bruxelas pede aos países da UE medidas para reduzir consumo de gás e luz
A Comissão Europeia pediu hoje aos ministros de Energia da União Europeia (UE) que adotem medidas para reduzir o consumo de gás e eletricidade "enquanto for necessário", face à pressão dos mercados energéticos e a aproximação do inverno.
Numa carta hoje enviada aos ministros europeus da tutela e à qual a agência Lusa teve acesso, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, alertou que a UE está "perante uma crise de preços ligada a uma crise de abastecimento", num contexto de elevada volatilidade nos mercados globais de gás, agravada pelas atuais tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Nesse âmbito, "a redução da procura pode ser uma ferramenta eficaz para ajudar a conter os preços", sugeriu.
Apesar de garantir que "não existem atualmente riscos imediatos para a segurança do abastecimento", Dan Jørgensen pediu aos governantes da UE "trabalhos de preparação" face à aproximação da estação fria, que se podem traduzir na "adoção ou manutenção de medidas que permitam sustentar as injeções de gás ou reduzir a procura de gás e eletricidade durante o tempo que for necessário".
Isto porque, de acordo com o responsável, "a situação nos mercados mundiais de gás, em termos de oferta e volatilidade dos preços, não melhorou" desde a primavera, tendo ainda surgido novas pressões relacionadas com a tensão nos mercados globais de gás natural liquefeito (GNL) e um verão "excecionalmente seco e quente".
Num contexto de crescente interdependência entre os sistemas elétrico e de gás da UE, Dan Jørgensen recordou na missiva que os preços da energia "se mantiveram elevados e voláteis" quando a injeção de gás nos armazenamentos diminuiu devido ao aumento do consumo de gás para produção de eletricidade.
Perante este cenário, o comissário europeu sugeriu medidas para diminuir a procura nos 27 Estados-membros, como a redução do consumo de eletricidade durante as horas de ponta, a limitação das temperaturas em edifícios públicos, a prevenção do aquecimento de espaços exteriores e o desligamento da iluminação pública desnecessária durante a noite.
Para Bruxelas, reduzir o consumo elétrico nos períodos de maior procura pode ter um impacto direto no consumo de gás, uma vez que as centrais a gás são frequentemente a fonte marginal de produção de eletricidade nesses períodos.
O comissário recomendou, ainda, uma maior utilização dos sistemas de contagem inteligente e da flexibilidade da procura através do mercado retalhista, argumentando que estas medidas podem contribuir para "reduzir a procura de energia e aliviar a pressão sobre a procura de gás para produção de eletricidade".
Perante a atual pressão sobre os mercados energéticos, a ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, tem defendido a necessidade de conter o consumo e reforçar a eficiência energética.
Hoje mesmo, a Comissão Europeia assegurou que o abastecimento de gás na UE permanece estável, apesar de os níveis de armazenamento estarem abaixo dos valores históricos, e garantiu que acompanhará de perto riscos para o mercado energético antes do inverno.
A atual situação é influenciada pela instabilidade no Médio Oriente, nomeadamente a guerra do Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas, e pela volatilidade dos mercados globais de energia.