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Idosa despejada em Madrid aceita acordo negociado com empresa e vai voltar a casa

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Foto EPA/FERNANDO VILLAR

A idosa despejada na semana passada em Madrid, Maricarmen Abascal, aceitou hoje o acordo que agora lhe propôs a empresa proprietária do apartamento e vai regressar à casa onde vive desde 1956, segundo a advogada que a representa.

Maricarmen Abascal, de 87 anos, está internada num hospital de Madrid desde o dia que foi despejada e disse estar "muito contente" com o acordo alcançado na segunda-feira, revelou a advogada Beatriz Duro.

A idosa espera estar recuperada e ter alta "quanto antes" para poder voltar a casa, acrescentou.

O caso de Maricarmen Abascal desencadeou protestos com milhares de pessoas em Espanha e levou o Conselho de Ministros a aprovar hoje um pacote de medidas extraordinário para responder a casos como este e à crescente dificuldade em aceder a uma casa.

Os acampamentos em protesto pela crise na habitação em Espanha estendem-se a uma dezenas de cidades, disse hoje a associação Sindicato de Inquilinas e Inquilinos, que promove estas iniciativas.

A maior mobilização está em Madrid, na praça Porta do Sol, onde centenas de pessoas estão instaladas em perto de 400 tendas desde sábado à noite.

Os protestos por causa da crise na habitação têm-se sucedido na última semana em várias cidades de Espanha, com especial dimensão em Madrid, depois do despejo pela polícia de Maricarmen Abascal na quarta-feira passada.

Maricarmen Abascal saiu de casa levada por bombeiros numa maca, após horas de uma operação da polícia que retirou à força centenas de pessoas que bloqueavam o acesso ao apartamento da idosa.

O despejo, transmitido em direto pelas televisões espanholas, traduziu-se em "imagens da vergonha", que deram a volta ao mundo com "algo que nunca se deveria ter visto", disseram hoje numa conferência de imprensa em Madrid, na Porta do Sol, uma porta-voz do Sindicato das Inquilinas e inquilinos, Valeria Racu e a advogada Beatriz Duro.

"Mas acenderam uma chama que já não vai parar", disse Valeria Racu, que disse que já houve 50 manifestações desde a semana passada em Espanha e há neste momento acampamentos pela habitação numa dezena de cidades.

O Sindicato das Inquilinas e Inquilinos sublinhou hoje que a "primeira vitória" com estas mobilizações foi conquistada na segunda-feira à noite, com um pré-acordo alcançado com a empresa proprietária do apartamento de Maricarmen Abascal, que permite o regresso a casa da idosa.

A advogada Beatriz Duro sublinhou que foi a empresa que solicitou a reunião e propôs um acordo, mas que passou anos sem querer qualquer diálogo, recusando ouvir propostas ou negociar.

O acordo alcançado na segunda-feira à noite entre familiares de Maricarmen Abascal, a advogada da idosa, o Sindicato de Inquilinas e Inquilinos e a empresa Urbagestión Desarrollo e Inversión SL prevê o regresso ao apartamento da mulher despejada contra o pagamento de uma renda que não ultrapassa os 30% o seu rendimento líquido (uma pensão de cerca de 1.400 euros).

Segundo os envolvidos na negociação, Maricarmen Abascal continuará a pagar uma renda similar à que pagava até ser despejada (500 euros) e assinará um contrato de arrendamento de oito anos.