Acordo permite Maricarmen regressar a casa em Madrid
A família de Maricarmen e a empresa proprietária do apartamento de onde foi despejada na semana passada, chegaram a um acordo para que esta mulher de 87 anos possa regressar a sua casa de imediato, foi hoje divulgado.
O acordo envolveu a família de Maricarmen, a sua advogada, o Sindicato de Inquilinos de Madrid e a Urbagestión Desarrollo e Inversión SL, empresa proprietária do apartamento de onde foi despejada na quarta-feira.
A idosa de 87 anos, que tem 50% de grau de incapacidade, pode assim regressar a sua casa de imediato, pagando um valor que não ultrapassa os 30% do seu rendimento líquido, noticiou a agência Efe
O acordo depende ainda da ratificação pela própria Maricarmen, indicou fontes da Câmara Municipal de Madrid, que atuou como mediadora.
Este foi o resultado da reunião realizada pelas partes no Serviço de Intermediação de Arrendamento da Câmara Municipal de Madrid, na sede da Empresa Municipal de Habitação e Solo (EMVS) de Madrid, num encontro que durou quatro horas e meia.
A diretora executiva da EMVS Madrid, Ana de Miguel, explicou que será um contrato regido pela Lei do Arrendamento Urbano (LAU), com a duração de oito anos e um valor limitado a 30% do rendimento líquido da moradora, no âmbito do programa municipal de intermediação de arrendamento.
Maricarmen foi despejada da casa onde viveu desde 1956 no centro de Madrid pela polícia, em cumprimento de uma ordem judicial que deu razão ao fundo de investimento que comprou o apartamento.
A praça Porta do Sol, no centro de Madrid, amanheceu no domingo com centenas de pessoas acampadas para pedir medidas para responder à crise da habitação e a garantirem que o protesto não tem data para acabar.
As tendas na Porta do Sol, no coração turístico da capital espanhola, e em frente à presidência do governo regional de Madrid, começaram a ser colocadas no sábado à noite, no final de uma manifestação contra os despejos e a exigir medidas que protejam os inquilinos e facilitem o acesso a uma casa.
Segundo os organizadores, a associação Sindicato de Inquilinas e Inquilinos, estiveram 300 mil pessoas na manifestação de sábado, enquanto as autoridades dizem que foram 25.000.
A própria Maricarmen Abascal pediu no sábado, a partir do hospital onde está internada, que a manifestação sirva para que "mudem as leis que permitiram" o seu despejo e disse que "na terça-feira tem de ser aprovado o decreto-lei para dar um primeiro passo para acabar com este absurdo".
Também no domingo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, assegurou que o executivo "está a trabalhar" para levar a Conselho de Ministros, na terça-feira, um decreto sobre habitação com o intuito de "aliviar a situação de emergência habitacional que afeta milhões de espanhóis".