Agricultores pedem desconto directo de 50 cêntimos no gasóleo agrícola
A CNA -- Confederação Nacional da Agricultura pediu um desconto de 50 cêntimos por litro de gasóleo agrícola atribuído diretamente na aquisição do combustível, apontando que "não se vislumbra uma verdadeira estratégia de combate à crise".
Num comunicado, hoje divulgado, a organização disse que "o Governo tem emitido diversos anúncios e comunicados sobre pagamentos efetuados aos agricultores, nos quais, deliberadamente, mistura as ajudas normais da PAC [Política Agrícola Comum] com as ajudas ao investimento, as compensações pelos prejuízos causados pelo 'comboio de tempestades' do início do ano, e as que pretendem responder à crise provocada pela guerra contra o Irão".
Para a CNA, no essencial, os anúncios servem para "inundar a opinião pública com relatos de milhões", sendo que, segundo a entidade, "além de muitos destes apoios demorarem a chegar aos agricultores, o que cada agricultor recebe é deveras insuficiente" face à crise atual.
De acordo com a entidade, o litro de gasóleo agrícola está 60 cêntimos mais caro, "mas o Governo não vai além da ajuda de 10 cêntimos por litro", um apoio que só é pago "meses depois" da despesa.
Por outro lado, indicou, "os aumentos dos custos com os fertilizantes ultrapassaram os 40%, e as ajudas atribuídas pelo Governo ficam muito aquém" das atribuídas por Espanha.
A CNA deixou assim uma série de propostas, começando pelo apoio de 50 cêntimos por litro de gasóleo agrícola, e passando pelo "aproveitamento de toda a margem de manobra concedida pela União Europeia", propondo a duplicação dos "valores dos apoios previstos para mitigar os efeitos dos aumentos nos restantes fatores de produção".
A organização pretende ainda a criação de um programa de compra conjunta de fertilizantes ao nível da União Europeia, a "monitorização e medidas de controlo dos preços dos combustíveis" e da "evolução dos preços ao longo de toda a fileira agroalimentar", para evitar especulações.
A CNA pretende também a "retoma do diálogo com as organizações de agricultores e criar ao nível da PARCA [Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar] uma estrutura de acompanhamento de crise".
Segundo a entidade, nas compensações atribuídas pelos prejuízos causados pelas tempestades do início do ano, "há milhares de agricultores que já fizeram os investimentos sem ter ainda recebido qualquer apoio".
"Este é um Governo que, quanto à agricultura, está muito preocupado com a propaganda, mas que não dialoga com o setor", lamentou, indicando que a CNA, "apesar de reiterados pedidos de audiência, está há quase cinco meses sem qualquer resposta quanto às reuniões pedidas com o ministro".
"Não se vislumbra uma verdadeira estratégia de combate à crise", destacou, apontando que "as medidas anunciadas são desgarradas umas das outras, burocráticas e pouco eficazes".