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Madeira quer 25% das PME com Inteligência Artificial até 2030

Governo Regional fixa meta de adopção de IA e estima ganhos de produtividade entre 15% e 20%

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Linha IA PME integra pacote de 51,4 milhões de euros para inovação e competitividade

O Governo Regional quer que pelo menos 25% das pequenas e médias empresas (PME) madeirenses utilizem Inteligência Artificial (IA) até 2030, apontando para ganhos de produtividade entre 15% e 20% com a adopção da tecnologia. A meta foi assumida esta quinta-feira pelo secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, no encerramento da apresentação da ARIA-Empresas – Agenda Regional de Inteligência Artificial para as Empresas, promovida pela Direcção Regional de Competitividade, Inovação e Sustentabilidade, na Reitoria da Universidade da Madeira.

A estratégia procura acelerar a adopção da IA num tecido empresarial onde as microempresas representam 86% das empresas da Região. Para José Manuel Rodrigues, a dimensão predominante das empresas madeirenses torna esta transformação tecnológica uma questão de competitividade, mas também de coesão do tecido empresarial.

“A inteligência artificial tem, com efeito, uma característica que a distingue das grandes tecnologias das últimas décadas: entrou nas empresas antes de ter entrado nas estratégias das empresas”, afirmou o governante, sublinhando que qualquer empresário pode começar a utilizar ferramentas de IA praticamente de imediato.

O problema, acrescentou, está na distância entre ter acesso à tecnologia e saber o que fazer com ela. Enquanto uma grande empresa dispõe de recursos para contratar especialistas, testar soluções e corrigir escolhas, uma pequena empresa raramente tem essa margem para experimentar.

Segundo os dados apresentados por José Manuel Rodrigues, 9,4% das pequenas empresas portuguesas utilizam actualmente Inteligência Artificial, contra 17% na média europeia. “É essa distância que nos cabe encurtar”, afirmou.

Tecnologia não pode ser um objecto no escritório

O Governo Regional pretende, por isso, que a adopção da IA seja orientada para problemas concretos das empresas e não para a simples aquisição de novas ferramentas.

“Uma empresa não ganha competitividade por possuir inteligência artificial”, defendeu o secretário regional. O ganho estará, explicou, em produzir melhor, responder mais depressa, reduzir desperdícios, conhecer melhor os clientes, libertar trabalhadores de tarefas de reduzido valor acrescentado ou tomar decisões com mais informação.

A ARIA-Empresas assenta, nesse sentido, num percurso que começa pela identificação do problema, passa pela avaliação da capacidade da empresa para o enfrentar e pelo teste de uma solução, seguindo-se a avaliação dos resultados antes de uma decisão sobre a continuidade do investimento.

José Manuel Rodrigues considerou que esta metodologia exige uma disciplina que deve acompanhar a inovação. “Precisamos de empresas que experimentem, mas também de empresas que saibam interromper o que não acrescenta valor, reconhecer um risco antes de ele se converter em problema e não confundir novidade com utilidade.”

Entre os instrumentos previstos está o Diário do Empresário, destinado a ajudar as empresas a transformar uma necessidade ou uma ideia numa decisão concreta, desde a identificação do problema à escolha da solução e à protecção da informação.

51,4 milhões em instrumentos financeiros

A meta de adopção da IA será acompanhada pelos instrumentos financeiros disponibilizados pela Região. O secretário regional destacou a Linha IA PME, integrada num pacote que inclui também a Linha Reindustrializar, com uma dotação global de 51,4 milhões de euros, no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade criado na sequência da revisão do Plano de Recuperação e Resiliência.

A estratégia contempla ainda uma dimensão de responsabilidade na utilização da IA. José Manuel Rodrigues rejeitou a possibilidade de transferir para as máquinas a responsabilidade pelas decisões tomadas com o seu auxílio.

“A máquina sugere, calcula, cruza informação, escreve, identifica padrões, executa tarefas. Mas a responsabilidade continua a ter um rosto — e tem um nome: o de quem decide”, afirmou.

O secretário regional chamou igualmente a atenção para questões relacionadas com os dados, nomeadamente onde ficam armazenados, quem lhes pode aceder e quem verifica decisões susceptíveis de afectar trabalhadores, clientes ou empresas.

Neste domínio, destacou o papel do Regulamento Europeu da Inteligência Artificial e do RGPD, mas também do Selo ‘Empresa IA Responsável Madeira’, defendendo que o cumprimento das regras deve ser acompanhado pela criação de uma verdadeira cultura de responsabilidade tecnológica dentro das empresas.

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