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IA obriga à reconfiguração de toda a cadeia dos media

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Foto Shutterstock

A IA deixa de ser uma ferramenta operacional e obriga à reconfiguração de toda a cadeia dos media, segundo o relatório do observatório Iberifier Tendências de inovação nos meios de comunicação digitais ibéricos: Cenários da comunicação para 2030.

Esta é uma das conclusões do documento do Observatório Ibérico dos Media Digitais (Iberifier), que refere que a inteligência artificial (IA) obriga "à reconfiguração de toda a cadeia: produção, distribuição, relação com as audiências e modelos de negócio".

Esta transformação "desenvolve-se num contexto de elevada incerteza quanto à sua velocidade, intensidade e aos seus efeitos, o que obriga a adotar cautela na interpretação das tendências", lê-se no documento.

Quanto à sustentabilidade do negócio, este "dependerá da transformação da relação com os públicos sem sacrificar o jornalismo de qualidade, superando a tensão entre o curto prazo e a necessidade de uma estratégia de longo prazo assente na diversificação, no reforço da marca e no desenvolvimento de dados próprios".

Por sua vez, "a desinformação será cada vez mais determinada pela IA e pelas plataformas".

Por isso, advoga o estudo, a literacia mediática, a regulação e o fact-checking [verificar factos] "são fundamentais, mas persistem elevadas incertezas quanto à sua evolução".

O desafio, sublinha o relatório, "reside na capacidade das sociedades para se adaptarem a um ecossistema informativo cada vez mais complexo e automatizado".

Segundo o estudo, os algoritmos "consolidam-se como os novos mediadores do ecossistema informativo, transformando a produção, a personalização, a medição de audiências e a relação entre o jornalismo e uns públicos cada vez mais fragmentados", sendo que isto acontece "num contexto de crescente polarização".

Além disso, "a autoridade dos conteúdos passa a assentar na sua relevância, atratividade e impacto emocional" e a "crescente valorização dos conteúdos conversacionais e de entretenimento suscita interrogações sobre a qualidade, a fiabilidade e o rigor da informação".

O áudio, "em particular, atravessa importantes transformações, ultrapassando os limites da rádio tradicional".

As mudanças narrativas "já não estão associadas a novos formatos disruptivos, mas sim à adaptação dos formatos existentes através da personalização, dos formatos audiovisuais breves e da hibridização" e "a inovação deve ser entendida como um processo estratégico, e não como uma resposta a modas tecnológicas", conclui o relatório do Iberifier.

De acordo com a análise, "a indústria oscila entre a procura do bem-estar laboral e da saúde mental e as pressões da eficácia produtiva".

Os novos formatos de longa duração "representam uma oportunidade para a sobrevivência do jornalismo de qualidade, em contraposição com a produção rápida".

Segundo o relatório, "a introdução da IA nos contextos profissionais reforça a possibilidade de perda de postos de trabalho, do agravamento das condições laborais, da degradação da qualidade dos conteúdos e da necessidade urgente de formação neste domínio".

A regulação, "apesar dos seus esforços, não conseguirá combater as consequências negativas", considera, referindo que a ética passa a constituir "uma exigência prática indispensável, especialmente perante o avanço da IA e a necessidade de mecanismos de proteção da verdade".

A recuperação da credibilidade e da relevância social "dependerá da criação de novos quadros éticos e de autorregulação mais sólidos", salienta.

O relatório aponta ainda que "o impulso regulatório é acompanhado por incerteza institucional: existe a necessidade de mecanismos de implementação robustos que garantam uma aplicação efetiva", mas acordos europeus "enfrentam limitações na sua aplicação a nível nacional e o confronto com os países de origem das plataformas".