A Região que envelhece

Li neste Diário um diagnóstico feito a 235 residentes do Porto Santo com 65 ou mais anos e que deveria merecer mais do que atenção local. Até porque quase um terço já precisa de ajuda para tarefas básicas e 59% necessita de obras em casa.

São números que dizem muito sobre o presente e antecipam um problema que será maior no futuro: como vai a Madeira cuidar de uma população cada vez mais envelhecida?

Não basta construir lares ou aumentar respostas quando a dependência já se instalou. É preciso preparar casas, serviços de saúde, transportes, apoio domiciliário e redes de proximidade que permitam às pessoas envelhecer com autonomia e dignidade.

Também convém perguntar quem cuidará dos nossos idosos? Numa Região que já depende crescentemente de mão-de-obra estrangeira para responder às necessidades da economia, também os cuidados à população envelhecida vão exigir mais pessoas, mais profissionais e mais recursos.

O Porto Santo pode estar apenas a mostrar, em dimensão mais pequena e visível, aquilo que toda a Madeira terá de enfrentar.

Uma Região que tanto fala do futuro não pode deixar para amanhã a preparação para o envelhecimento que já chegou.

Porque os idosos de amanhã somos nós.

Luís Fernandes