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Madeira

Porto Santo Line pede ajuda europeia para encontrar substituto do Lobo Marinho

Carlos Perdigão Santos aproveitou a reunião com uma delegação de eurodeputados para expor as dificuldades da operação

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Foto Rui Silva, ASPRESS

As dificuldades em encontrar uma solução para substituir o Lobo Marinho estiveram entre as questões colocadas esta manhã por Carlos Perdigão Santos, administrador executivo da Porto Santo Line, durante a reunião com uma delegação de 10 eurodeputados da Comissão de Desenvolvimento Regional.

A reunião decorreu na sede da APRAM - Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, na Estação Marítima da Madeira, no âmbito da visita dos eurodeputados à Região para conhecer e debater as necessidades das regiões ultraperiféricas. A sessão foi liderada por Paula Cabaço, com a participação de representantes da Porto Santo Line.

Na sua intervenção, Perdigão Santos apelou aos representantes do Parlamento Europeu para que tenham em consideração as especificidades da ligação marítima entre a Madeira e o Porto Santo, numa altura em que a empresa procura uma solução para substituir o actual navio.

Segundo o responsável, a Porto Santo Line está a equacionar a aquisição de um novo navio, mais eficiente do ponto de vista ambiental e do consumo de combustível. “Estamos a equacionar a aquisição de um novo navio para fazer a ligação, um navio que seja do ponto de vista ambiental mais eficiente, do ponto de vista do combustível também mais eficiente, mas estamos a encontrar aqui alguns obstáculos em poder aceder a fundos europeus”, afirmou. Em causa estão, conforme explicou, regras que exigem emissões carbónicas nulas para que uma embarcação possa ser financiada pela União Europeia, o que limita as soluções disponíveis para uma ligação com as características da Madeira.

Perdigão Santos considerou particularmente difícil uma solução totalmente eléctrica, tendo em conta as actuais limitações tecnológicas para uma embarcação com a capacidade do Lobo Marinho e com necessidade de efectuar várias viagens e assegurar a ligação ao continente para manutenção.

O administrador executivo da Porto Santo Line sublinhou ainda que a ligação marítima tem uma importância que ultrapassa o transporte regular de passageiros, funcionando também como alternativa em situações de constrangimentos no Aeroporto da Madeira. Nesse contexto, defendeu que o navio deve manter capacidade para assegurar várias viagens por dia e servir como resposta de contingência para passageiros retidos na Madeira.

O responsável abordou também os desafios colocados pelas exigências europeias no domínio da sustentabilidade e da transição energética, defendendo que a aplicação das novas regras tenha em conta a dimensão e a realidade das regiões insulares e dos seus portos.

“A aplicação deste instrumento tem que ser feita de forma adaptada, proporcional e de forma razoável”, afirmou, numa referência às exigências e investimentos associados à transição energética.

Perdigão Santos alertou ainda para o peso que grandes investimentos e o aumento dos custos podem representar para operações de menor escala, sublinhando a necessidade de compatibilizar os objectivos ambientais com as condições específicas das regiões ultraperiféricas.

“A solução que está a ser agora, como tem sido difundida nos fundos europeus, não permite adquirir um novo navio para a Madeira”, acrescentou o responsável, apelando a uma adaptação das regras de financiamento à realidade regional.

A visita da delegação da Comissão de Desenvolvimento Regional decorre entre 21 e 23 de Setembro e inclui reuniões com várias entidades e instituições regionais.