Região sinaliza necessidade de três mil fogos
A Madeira tem uma necessidade estimada de cerca de três mil fogos para responder à procura habitacional identificada na Região, embora nem todos tenham de ser destinados a habitação pública. O diagnóstico foi apresentado esta terça-feira por Leonel Silva, presidente da Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM), durante a visita de uma delegação de dez eurodeputados a um empreendimento habitacional a custos controlados na Ribeira de Alforra, em Câmara de Lobos.
A visita da Comissão do Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu serviu para mostrar o investimento realizado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas também as necessidades que permanecem depois de concluído este ciclo de financiamento.
Leonel Silva explicou que o levantamento das necessidades assenta sobretudo nas inscrições e manifestações de interesse recebidas pela IHM. O parque habitacional público sob gestão da empresa regional totaliza actualmente 4.914 casas, das quais 4.265 correspondem a arrendamento apoiado e 649 a renda acessível.
Através do PRR foram construídos 808 fogos nos 11 concelhos da Região, 649 destinados a renda reduzida e 159 a renda social. O investimento realizado ascendeu a 174,9 milhões de euros, dos quais cerca de 129,9 milhões foram financiados pelo PRR e 45 milhões suportados pelo Orçamento Regional.
Segundo os dados apresentados pelo presidente da IHM, cerca de 15.700 pessoas vivem actualmente em habitação social, pagando uma renda média de 59 euros. Já os 649 fogos de renda reduzida deverão abranger aproximadamente duas mil pessoas, com uma renda média de 414 euros. Neste segmento, 92% das pessoas em idade activa estão empregadas, predominando beneficiários entre os 25 e os 40 anos.
A Região prevê agora investir 106,7 milhões de euros no reforço da oferta de habitação pública, através de empreendimentos em diferentes fases de execução.
Pedro Rodrigues, secretário regional de Equipamentos e Infra-estruturas, aproveitou a presença da delegação europeia para defender a necessidade de reforço dos fundos destinados à habitação. "Para continuarmos com estes indicadores económicos, precisamos fortemente de fixar cá os nossos jovens", afirmou, apontando as dificuldades no acesso ao mercado privado devido aos preços elevados.
O governante referiu que o Madeira 2030 contempla cerca de 40 milhões de euros para habitação na Região, distribuídos pelos municípios e pelas entidades habitacionais do Governo Regional, cabendo à administração regional aproximadamente metade. Um montante que considerou "relativamente curto para as necessidades que temos".
"Temos de continuar a investir nesta área da habitação pública e, para isso, precisamos, obviamente, do apoio da comunidade europeia", reforçou Pedro Rodrigues perante os eurodeputados.