Já está previsto há anos estacionamento sob uma nova praça na Baía de Câmara de Lobos?
Um parque de estacionamento subterrâneo, sobre o qual será criada uma praça. Esta é uma das intervenções que o presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, Celso Bettencourt, pretende concretizar na baixa da cidade. O autarca afirmou esse propósito durante a sua participação no programa Bola no Ar, da TSF Madeira, emitido no último domingo.
O estacionamento subterrâneo permitirá retirar os automóveis do actual parque à superfície, numa área central da Baía onde, no passado, funcionaram actividades de serragem e de reparação naval.
Mas será esta uma solução nova para aquele espaço ou já estava prevista há vários anos?
Para verificar os factos, recorremos ao arquivo do DIÁRIO e à documentação disponibilizada pela Câmara Municipal de Câmara de Lobos relativa aos projectos de reabilitação urbana da frente-mar.
O levantamento permite recuar, pelo menos, a 2018. Nesse ano teve início a operação denominada RUCL – Reabilitação Urbana da Cidade de Câmara de Lobos, posteriormente aprovada para financiamento comunitário, em Junho de 2019.
A intervenção era bastante mais vasta do que o actual parque de estacionamento. Abrangia a frente marítima da cidade, desde a entrada junto à Ribeira dos Socorridos até à Praça da Autonomia e Largo de São Sebastião, e incluía diferentes zonas e obras.
Uma delas era precisamente a denominada Zona D, a ‘Porta da Cidade’, que incluía a actual zona de parqueamento automóvel da Baía. O projecto reconhecia a existência de conflitos entre a circulação de pessoas e veículos e propunha uma profunda alteração daquele espaço.
Na área com cerca de três mil metros quadrados, onde anteriormente tinham funcionado a serragem e actividades de reparação naval, pretendia-se substituir o parqueamento automóvel à superfície por uma nova utilização urbana.
A solução ia bastante além da criação de uma praça. O projecto previa aproveitar o subsolo e as diferenças de cota do terreno para instalar estacionamento num espaço “escondido” sob os socalcos e mirantes que seriam construídos.
O documento municipal é ainda mais concreto. A solução arquitectónica previa um edifício de estacionamento “encaixado” na encosta, com capacidade para 130 viaturas. Teria também recolha de barcos e zonas destinadas a comércio e serviços e desenvolver-se-ia em três andares ou “socalcos” até à cota da Baía.
À superfície seriam criados espaços públicos de estar, mirantes sobre a Baía, pontos de encontro e lazer e uma grande escadaria pública, estabelecendo uma ligação entre a Rua da Carreira e a zona junto ao mar. O espaço poderia funcionar também como anfiteatro para eventos.
Não se tratava apenas de uma intenção mencionada num plano. Em Fevereiro de 2019, o DIÁRIO noticiou que a Câmara, então presidida por Pedro Coelho, tinha apresentado uma candidatura ao Madeira 14-20 para a operação de regeneração da frente-mar. O investimento global então apontado rondava os 6,7 milhões de euros, dos quais a autarquia pretendia obter 5,4 milhões através de financiamento comunitário.
Parte das intervenções previstas nessa operação viria a avançar. Porém, a transformação prevista para o parque da Baía, antiga zona da serragem, e espaços contíguos do antigo estaleiro e varadouro não foi concretizada nos moldes então projectados. O estacionamento à superfície permanece no local.
Há, ainda assim, uma diferença que importa assinalar. A documentação antiga não permite concluir que o projecto agora anunciado por Celso Bettencourt seja exactamente o mesmo. O anterior previa 130 lugares num edifício encaixado na encosta e desenvolvido em três níveis. O novo projecto poderá ter características diferentes que ainda não são conhecidas.
O que é possível verificar é a antiguidade da solução urbanística. Pelo menos desde 2018 estava prevista para aquele mesmo espaço da Baía a retirada do estacionamento à superfície, a criação de espaço público e a instalação de estacionamento sob a nova área de fruição, associada também à recolha de barcos. Assim, a afirmação de que a construção de estacionamento sob um novo espaço público na Baía já estava prevista há vários anos é avaliada como verdadeira.