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Figuras públicas e anónimos despedem-se de Jorge Palma em Lisboa

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Foto CARLOS M. ALMEIDA/LUSA

Dezenas de pessoas, entre figuras públicas e cidadãos anónimos, passaram ao início da tarde de hoje pela Voz do Operário, em Lisboa, para se despedirem do músico Jorge Palma, que morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos.

O início do velório, aberto a todos, estava marcado para as 15:00 e pouco depois já várias pessoas tinham subido ao quarto andar do edifício da Voz do Operário, na zona da Graça.

Além de vários cidadãos anónimos, que foram deixando mensagens escritas nos dois livros de condolências à entrada do salão, foram, sobretudo, figuras ligadas à música que por ali passaram.

Cantores como Paulo Gonzo, Olavo Bilac, Carminho, Joana Alegre, Rita Vian, Selma Uamusse, músicos como Cabrita, Nuno Espírito Santo, João Gil, João Correia, Manuel João Vieira, Benjamim, Francisca Cortesão (Minta), Gabriel Gomes, Camané, Gil do Carmo, Dany Silva e Romeu Bairos e também vários 'invisíveis', entre técnicos de palco, de som, 'roadies' e 'managers', estiveram entre os que marcaram presença no velório.

Elementos da equipa de Jorge Palma vestiram camisolas pretas da digressão de celebração dos 50 anos de carreira, de 2024, com a palavra "Antologia" e a lista de todos os álbuns do músico.

A cantora Carminho, em declarações aos jornalistas, lembrou Jorge Palma como "um artista em língua portuguesa que soube, com muita clareza, com uma poesia imensa, dizer as coisas diretamente com brilhantismo".

"E por isso tocou tanta gente, e por isso acho que chega aos corações de tanta gente e se torna transversal nas gerações. As pessoas não são indiferentes e contou a própria história. Teve uma coragem imensa também de se dar à música de uma forma muito generosa, genuína e honesta", afirmou.

Carminho partilhou ainda que "é uma grande alegria e uma honra ser contemporânea do Jorge Palma".

Também algumas figuras de outras áreas, como as atrizes Paula Guedes, Maria João Luís e Ana Nave, o realizador Manuel Pureza, a 'influencer' Ana Garcia Martins (A Pipoca Mais Doce), os radialistas Pedro Fernandes e Henrique Amaro, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e o antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, prestaram uma última homenagem ao cantor de "A gente vai continuar".

Marcelo Rebelo de Sousa contou aos jornalistas que conheceu Jorge Palma em 1971, no primeiro festival de Vilar de Mouros, eram os dois "uns miúdos".

Na época Jorge Palma fazia parte da banda Sindicato, que atuou no festival, e os dois falaram "uns instantes". "Depois ao longo da vida falámos mais tempo, encontrámos mais tempo", disse.

O antigo Presidente da República fez questão de recordar "um momento único", em setembro de 2020, "em plena pandemia", no Castelo de São Jorge, em Lisboa.

Naquele que foi o concerto de celebração dos 70 anos de vida de Jorge Palma, Marcelo Rebelo de Sousa lembra-se de o músico estar "como sempre frágil [a música preferida do antigo chefe de estado] fisicamente, mas forte por dentro". "Estava feliz, estava eufórico", recordou.

"Ele juntava a originalidade nas letras e nas músicas, como poucos, à doçura. Houve muitos que cantaram e cantam muito bem daquela geração de Abril, mas que não tinham a doçura dele", referiu.

Além disso, Jorge Palma era "um rebelde, um homem livre, integralmente livre.

"Lutava pela liberdade, pela democracia, pela justiça e tal, mas era livre. Mas há muita gente livre que não tem disponibilidade para os outros, e ele tinha, e tinha de uma forma doce. Podia ser militante de uma forma doce", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa condecorou Jorge Palma como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, em novembro de 2020.

Hoje houve quem chegasse ao velório, que termina pelas 22:00, de flores na mão, sobretudo cravos vermelhos, as mesmas flores que formavam uma das coroas que ladeavam o caixão. A outra coroa era de rosas vermelhas, a flor preferida de Jorge Palma.

Por cima da urna foi colocado um retrato a preto e branco do músico. Atrás, no palco do salão da Voz do Operário, estava uma imagem a preto e branco, de Jorge Palma ao piano, usada na promoção dos espetáculos dedicados ao álbum "Só".

Na quinta-feira, o cortejo fúnebre sai da Voz do Operário às 15:00, em direção ao cemitério do Alto de São João, onde decorrerá a cremação, "estritamente reservada à família e amigos próximos".