Porto Santo pede voos extraordinários durante paragem do Lobo Marinho
Autarquia lembra que, em média, 900 pessoas circulam todos os dias entre a ilha e a Madeira
A Câmara Municipal do Porto Santo quer que o Governo Regional assegure voos extraordinários durante a paragem do Lobo Marinho, prevista entre 14 e 22 de Outubro, para garantir a mobilidade dos residentes, trabalhadores e visitantes e minimizar o impacto da interrupção da ligação marítima na economia da ilha.
A proposta é defendida pelo presidente da autarquia, Nuno Batista, num comunicado emitido esta quinta-feira, que considera necessário criar uma alternativa aérea com "número e horários ajustados, tanto quanto possível, à capacidade e aos horários da ligação marítima".
'Lobo Marinho' obrigado a parar
Navio vai para doca seca, em Las Palmas, e não faz viagens entre 14 e 22 de Outubro
A Câmara reconhece a necessidade de intervenção no navio e sublinha que a segurança deve ser prioritária, mas considera que a indisponibilidade temporária do Lobo Marinho exige uma resposta específica para uma ilha cuja ligação ao exterior depende das ligações marítima e aérea.
"Para quem vive numa ilha, o transporte não é um luxo nem uma comodidade, é uma necessidade básica e uma condição para podermos viver, trabalhar e cuidar das nossas famílias", sustenta a autarquia.
Segundo o município, durante os dias de paragem haverá residentes que terão de se deslocar à Madeira por motivos de saúde, consultas e tratamentos, trabalho, razões familiares ou para tratar de assuntos pessoais. A Câmara aponta também a necessidade de assegurar a deslocação de trabalhadores da Madeira para o Porto Santo.
Cerca de 900 passageiros num dia
A autarquia chama ainda a atenção para o impacto da ligação marítima na actividade económica. De acordo com os dados divulgados pela Câmara, cerca de 900 pessoas deslocam-se actualmente para o Porto Santo através do transporte marítimo num único dia.
O município considera que este fluxo tem impacto directo na hotelaria, restauração, comércio e serviços, pelo que a redução da mobilidade durante a paragem do navio poderá traduzir-se numa quebra de actividade.
A preocupação é reforçada pela realização, durante esse período, de uma competição internacional que deverá envolver cerca de 600 participantes, entre atletas, equipas técnicas, dirigentes e elementos da organização.
"Está em causa muito mais do que um evento. Está em causa garantir que o Porto Santo não pára e que os porto-santenses não ficam condicionados na sua vida diária", defende a Câmara.
Nuno Batista afirma que a autarquia tem alertado desde o início do mandato para a necessidade de existirem alternativas sempre que o Lobo Marinho não possa operar.
"Precisamos de conseguir ir à Madeira quando temos uma consulta, quando temos um tratamento, quando temos um compromisso profissional ou quando temos uma questão familiar para resolver. E precisamos também de garantir que quem trabalha no Porto Santo consegue chegar à nossa ilha", afirma.
Câmara quer preparar resposta para Janeiro
A Câmara Municipal defende que a solução não deve limitar-se à paragem prevista para Outubro. A autarquia quer que o Governo Regional prepare desde já uma alternativa para Janeiro, período em que está igualmente prevista uma nova paragem do Lobo Marinho.
"Não podemos andar todos os anos a começar do zero. Se sabemos que em Janeiro o Lobo Marinho vai voltar a parar, temos de preparar a solução com antecedência", considera Nuno Batista, defendendo maior previsibilidade para residentes, trabalhadores, empresas e visitantes.
A proposta passa por reforçar significativamente a oferta aérea, ajustando os horários e a capacidade dos voos às necessidades que normalmente são asseguradas pela ligação marítima.
Município pede compensação para empresas
Além da mobilidade, a Câmara Municipal do Porto Santo reclama a criação de um mecanismo de compensação financeira para as empresas afectadas pela redução da actividade durante a interrupção da ligação marítima.
A autarquia considera que a diminuição do número de passageiros terá consequências na hotelaria, restauração, comércio, serviços e pequenas empresas e defende que o Governo Regional deve compensar perdas de receita que sejam comprovadamente resultantes desta situação excepcional.
"Defender os porto-santenses é também defender quem investe, quem cria emprego e quem todos os dias mantém a economia da nossa ilha viva", afirma o presidente da Câmara.
Nuno Batista garante que a posição da autarquia não resulta de uma disputa política, mas da necessidade de encontrar soluções para a população.
"Não estamos aqui para responder a críticas, nem para alimentar polémicas. Estamos aqui para resolver problemas", afirma.
A Câmara Municipal pede, assim, ao Governo Regional, através da Secretaria Regional da Economia e em articulação com os operadores de transporte, uma resposta reforçada para Outubro e a preparação antecipada da solução para Janeiro.
"Não queremos privilégios para o Porto Santo. Queremos aquilo que é justo para quem vive numa ilha", resume Nuno Batista.