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Madeira

'Lobo Marinho' obrigado a parar

Navio vai para doca seca, em Las Palmas, e não faz viagens entre 14 e 22 de Outubro

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Porto Santo Line define várias medidas para minimizar impactos

O navio ‘Lobo Marinho’ vai ser submetido a intervenção extraordinária em doca seca. Uma decisão que surge na sequência da avaria registada  a 10 de Setembro, quando o navio navegava em direcção ao Funchal, nas proximidades do Garajau.

Lobo Marinho navega com um motor

Viagens deste fim-de-semana vão demorar mais uma hora

Orlando Drumond , 11 Setembro 2026 - 18:03

Segundo o administrador executivo da Porto Santo Line, Carlos Perdigão Santos, após a avaliação técnica realizada por um especialista da SCHOTTEL Industries — fabricante alemã e fornecedora do sistema de propulsão (veio propulsor) do Lobo Marinho—, “foi determinada a necessidade de realizar uma operação relâmpago através de uma deslocação  do navio a um estaleiro dotado de doca seca, condição necessária para a execução dos trabalhos com o navio devidamente imobilizado e no menor espaço de tempo”.

Sendo assim, está prevista a entrada do ‘Lobo Marinho’ nos estaleiros da ASTICAN, em Las Palmas de Gran Canaria, a 15 de Outubro, sendo que a escolha deste estaleiro “resulta, designadamente, da sua proximidade geográfica, permitindo assegurar a resolução do problema com celeridade, reduzindo ao mínimo o período de indisponibilidade do navio e, consequentemente, o impacto na operação”.

Várias medidas programadas para minimizar impactos

Esta imobilização técnica tem consequências. A Porto Santo Line prevê a não realização das viagens entre os dias 14 e 22 de Outubro, inclusive.

Por isso, durante o período de indisponibilidade do ‘Lobo Marinho’, e conforme indicações do  Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional da Economia, a Porto Santo Line irá adoptar um conjunto de medidas destinadas a minimizar os impactos da interrupção do serviço marítimo regular.

Neste âmbito, será afretado um navio porta-contentores, com o objectivo de assegurar o abastecimento semanal da ilha do Porto Santo. Do mesmo modo, a Porto Santo Line irá disponibilizar - gratuitamente - contentores frigoríficos para armazenamento de produtos frescos no Porto Santo.

Paralelamente, a Porto Santo Line irá contratar à Binter a disponibilização de 100 lugares por dia, correspondentes a 50 lugares em cada sentido, mediante disponibilidade, destinados aos residentes no Porto Santo, à semelhança do procedimento adoptado durante os períodos de manutenção anual.

Os passageiros com reservas para o período abrangido pela interrupção poderão proceder à alteração da data da viagem sem qualquer custo adicional. Será igualmente disponibilizada a possibilidade de reembolso integral das viagens, caso os passageiros optem pelo cancelamento das respectivas reservas.

Ponto assente é que até ao início da intervenção, as ligações marítimas continuarão a ser realizadas com uma duração aproximada de 3 horas e 15 minutos, “estando esta operação devidamente autorizada pelas autoridades competentes, nomeadamente pela Sociedade Classificadora (DNV) e pela Capitania do Porto do Funchal, garantindo-se todas as condições de segurança necessárias”, esclarece Carlos Perdigão Santos.

"Tipo de avaria raro e associado a factores externos"

A razão pela qual esta correcção não pode ser realizada com o navio na Madeira, solução que foi amplamente estudada, prende-se com a necessidade de o ‘Lobo Marinho’ permanecer completamente imobilizado e em seco durante a intervenção. “Esta condição é indispensável para garantir a segurança da intervenção e evitar a deslocação do veio propulsor após o seu desacoplamento, o que poderia comprometer a estanquidade do sistema”, observa Carlos Perdigão Santos.

O administrador revela que, segundo a SCHOTTEL Industries, “este tipo de avaria — o colapso da vara que liga o veio propulsor da máquina de estibordo — é extremamente raro e associado a factores externos ao normal funcionamento do navio”. “Não tendo sido identificadas outras anomalias no Lobo Marinho, admite-se que a avaria tenha sido provocada pelo contacto da hélice com um elemento externo, como pneus, cabos, remos ou outros objectos, podendo causar perturbações significativas, incluindo o bloqueio temporário do sistema de passo e o consequente desequilíbrio do veio e/ou hélices”, sublinha.

Esta hipótese assume particular relevância tendo em consideração que já foram registados três eventos com características semelhantes com o ‘Lobo Marinho’, envolvendo pneus, tendo-se verificado, num desses casos, o entrelaçamento de um cabo na hélice. Atendendo à posição da máquina, a estibordo, é possível considerar que estes objectos possam encontrar-se com maior probabilidade junto ao cais do Funchal, correspondente ao lado de atracação do Lobo Marinho neste porto. No Porto Santo, pelo contrário, a atracação é efectuada pelo lado oposto, a bombordo.

Trata-se, assim, “de uma situação extraordinária, decorrente de uma causa externa e num componente cuja verificação, segundo o protocolo da Sociedade Classificadora, apenas estaria prevista para 2028”.

A intervenção consistirá na substituição integral da peça, garantindo a fiabilidade da reparação e o enquadramento na garantia do fabricante.

A Porto Santo Line faz saber que está “a actuar no sentido de assegurar a resolução da avaria com a máxima celeridade, reduzindo ao mínimo indispensável o período de indisponibilidade do navio e minimizando o impacto desta situação na operação e na continuidade do serviço”.