Sindicato reivindica aumento de 70 euros para trabalhadores da Função Pública
Com uma grave nacional já agendada para 2 de Outubro, uma sexta-feira antes de um fim-de-semana prolongado pelo feriado de dia 5, as reivindicações ganham mais força
Para o dia 2 de Outubro, às 11 horas, está marcada uma concentração junto ao Palácio do Governo Regional.
O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas reivindica um aumento salarial de 70 euros para os trabalhadores da Administração Pública Regional, até ao 23.º nível remuneratório, uma das principais propostas do caderno reivindicativo para 2027 apresentado esta terça-feira.
Nélson Pereira, presidente do sindicato, defende que a actualização é necessária para evitar um maior achatamento da tabela salarial, sobretudo perante a subida da remuneração mínima garantida na Madeira para 1.050 euros.
Segundo o dirigente sindical, esta alteração fará com que trabalhadores de diferentes categorias e com diferentes anos de serviço passem a receber praticamente o mesmo. “Vamos ter centenas de trabalhadores aqui na Região, independentemente do tempo de serviço ou categoria que passam a ganhar exactamente o mesmo”, alertou.
A proposta sindical passa, por isso, por um acréscimo de 70 euros em todos os níveis remuneratórios até ao 23.º, enquanto nos níveis seguintes é defendido um aumento de 32 euros. Nélson Pereira justifica a reivindicação com a necessidade de responder à inflação e ao aumento do custo de vida na Região.
O caderno reivindicativo é apresentado numa altura em que está marcada para 2 de Outubro uma greve nacional que abrange as carreiras gerais de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional. O sindicato considera que estas carreiras têm vindo a perder valorização e defende uma maior diferenciação e especificidade profissional.
Na Madeira, Nélson Pereira antecipa que os efeitos da paralisação poderão ser particularmente sentidos entre os assistentes operacionais, nomeadamente nos sectores da Educação e da Saúde. O sindicalista aponta situações em que trabalhadores desempenham funções semelhantes às de carreiras específicas, mas permanecem enquadrados como assistentes operacionais e recebem salários inferiores.
Entre as restantes reivindicações está a revisão da carreira dos técnicos de apoio à infância. O sindicato denuncia falta de profissionais nas creches e no pré-escolar e sustenta que estes trabalhadores acabam por assumir tarefas que ultrapassam as suas competências, desde funções habitualmente desempenhadas por educadores até à limpeza e higienização das salas.
O sindicato propõe ainda a criação, no sistema educativo regional, de uma carreira específica para os assistentes operacionais, que poderá assumir a designação de técnico auxiliar de educação.
Questionado pelos jornalistas se estariam em curso negociações entre o Sindicato e alguma estrutura governamental, Nélson Pereira adiantou que, até ao momento, não foram contactados pelo Executivo para negociar estas matérias, apesar das diligências já efectuadas, nomeadamente relativamente aos técnicos de apoio à infância.
O caderno reivindicativo para 2027 será agora remetido à tutela das Finanças.