DNOTICIAS.PT
Comunidades Mundo

Cortes de energia travam resposta social em Valência

None

Os cortes de energia de seis horas ao dia continuam a afectar Valência e outras cidades venezuelanas fora de Caracas e estão a condicionar a actividade de instituições sociais e de pequenas empresas, num país já confrontado com uma profunda crise humanitária e com as consequências dos recentes sismos.

O alerta foi transmitido ao presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, Jorge Santos, durante a visita à Associação Civil de Beneficência Portuguesa Só Bem, em Valência. A presidente da instituição, Luísa Moreira, explicou que as falhas de electricidade tornam particularmente difícil assegurar qualquer actividade numa cidade onde as temperaturas são elevadas.

“Com o calor intenso que se faz sentir em Valência, sem energia torna-se muito difícil desenvolver qualquer acção e dar resposta às pessoas que nos procuram”, afirmou Luísa Moreira, dando conta de uma realidade que também afecta o funcionamento das empresas de menor dimensão.

Jorge Santos ouviu ainda os relatos sobre o agravamento das dificuldades sociais em diferentes regiões da Venezuela. Famílias inteiras procuram diariamente apoio junto das instituições de solidariedade, pedindo alimentos, medicamentos e ajuda para satisfazer necessidades básicas.

A situação não está circunscrita às zonas directamente afectadas pelos sismos. Os efeitos da crise económica e social fazem-se sentir em todo o país, aumentando a pressão sobre associações que já trabalham com meios humanos e financeiros limitados.

“A dimensão das dificuldades é muito maior quando a conhecemos no terreno. Há famílias inteiras a pedir ajuda e instituições a fazerem um trabalho extraordinário, apesar de terem poucos recursos”, observou Jorge Santos, que tomou nota das principais necessidades identificadas pelos dirigentes associativos.

Entretanto, a onda solidária promovida em Portugal começou já a chegar a Valência. Vários produtos de primeira necessidade foram recebidos pelas instituições locais, confirmando que os bens recolhidos estão a alcançar os destinatários.

Contudo, os responsáveis sociais explicaram que, sempre que possível, preferem receber donativos financeiros. Os elevados custos do transporte internacional podem superar o próprio valor dos géneros enviados, reduzindo a eficácia da ajuda.

Os fundos monetários permitem às associações adquirir directamente na Venezuela os produtos mais necessários em cada momento, evitar encargos com transporte e responder com maior rapidez às situações urgentes.

A visita permitiu ao autarca ribeira-bravense conhecer no terreno os constrangimentos enfrentados pelas instituições e avaliar a melhor forma de orientar futuras iniciativas solidárias promovidas a partir da Madeira.