Sindicato dos Jornalistas apela a boicote a declarações de Montenegro sem perguntas
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou hoje às redações e direções de informação para não enviarem jornalistas a declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, quando não houver possibilidade de colocar perguntas.
Num comunicado intitulado "Se Montenegro não aceita perguntas, boicotem as declarações", o sindicato acusa o chefe do Governo de ter tornado habitual a realização de declarações públicas sem um período posterior para questões dos jornalistas.
Como exemplo mais recente, o SJ refere a declaração feita por Luís Montenegro na quinta-feira, após o Conselho de Ministros, para apresentar as medidas aprovadas pelo Governo, sem responder a perguntas.
"Se não permitem colocar questões, não devem estar jornalistas presentes", defende o sindicato, apelando a uma "posição de força" por parte das redações e direções de informação.
A estrutura sindical recorda que o IV Congresso dos Jornalistas aprovou uma proposta de boicote a conferências de imprensa em que não fosse permitido aos jornalistas fazer perguntas.
Para o SJ, impedir a colocação de questões limita o exercício da atividade jornalística, sobretudo no escrutínio de pessoas que ocupam posições de poder público ou privado.
"Impedir perguntas é impedir a prática jornalística. É imperiosa a necessidade de questionar as pessoas em posições de poder, sejam decisores públicos ou privados. Sem essa hipótese, transmitir as suas declarações é participar num exercício de propaganda - mais vale que enviem um comunicado de imprensa", lê-se no mesmo comunicado.
O SJ recorre também a um episódio do 25 de Abril de 1974, lembrando que Salgueiro Maia respondeu a perguntas da imprensa durante o cerco ao Quartel do Carmo, para defender que os responsáveis políticos devem reservar espaço para questões dos jornalistas quando fazem declarações públicas.
"Diga-se que até Salgueiro Maia, em pleno cerco ao Quartel do Carmo, tirou 14 minutos para responder às questões da imprensa sobre o golpe em curso a 25 de abril de 1974. Ficou de costas para os militares da GNR que recusavam render-se. Meio século volvido, seria de esperar que o líder do executivo PSD/CDS repetisse a cortesia tendo sempre espaço para perguntas de jornalistas quando deseja falar ao público", conclui o sindicato.