DNOTICIAS.PT
Madeira

Trabalhadores dos transportes ameaçam avançar para “meios necessários”

Plenário do STRAMM reafirmou a proposta de aumento de 75 euros na tabela salarial e de um euro no subsídio de alimentação para 2026. Sindicato diz que ainda há margem para negociar, mas avisa que a “paciência" dos trabalhadores "não é eterna"

None
Foto STRAMM

Os trabalhadores dos transportes públicos e do turismo abrangidos pelo contrato colectivo de trabalho (CCT) celebrado com a ACIF reafirmaram, esta segunda-feira, o apoio às propostas defendidas pelo STRAMM/FECTRANS no processo negocial. No plenário realizado hoje na Região, os trabalhadores deram ao sindicato mandato para manter as reivindicações apresentadas na reunião de conciliação.

Plenário de trabalhadores pode afectar carreiras de transporte público amanhã

IMT alerta para possíveis atrasos, alterações de horários ou supressão de carreiras na manhã de segunda-feira na CAM e na Siga Rodoeste

Entre as principais exigências está um aumento de 75 euros na tabela salarial e de um euro no subsídio de alimentação para 2026. Segundo o STRAMM, os trabalhadores entenderam que estes valores devem continuar a ser defendidos na mesa de negociação, numa altura em que o processo permanece bloqueado. Apesar do impasse, o sindicato garante que ainda pretende procurar uma solução pela via negocial. Os trabalhadores mandataram o STRAMM para “explorar todas as vias legais” e procurar dar resposta às reivindicações apresentadas.

O comunicado divulgado após o plenário deixa também um aviso às entidades envolvidas no processo. O sindicato afirma que a “paciência” dos trabalhadores “não é eterna” e que, caso não sejam dadas respostas rápidas, estes poderão recorrer aos “meios necessários” para defender os seus interesses.

Um dos pontos levantados durante o plenário prende-se com as dificuldades financeiras alegadas pelas empresas do sector. Os trabalhadores rejeitam que eventuais problemas relacionados com pagamentos em falta por parte do Governo Regional possam ter como consequência a estagnação dos salários.

Para o STRAMM, essas dificuldades não devem constituir um obstáculo às reivindicações dos trabalhadores, defendendo uma política de valorização e de uniformização das condições remuneratórias dos profissionais que asseguram o transporte público de passageiros na Região.

Transportes circulam sem constrangimentos apesar do plenário do STRAMM

Passageiros dizem não ter sentido alterações no serviço e alguns desconheciam a realização do plenário

O plenário serviu ainda para discutir uma solução estrutural para o sector dos transportes públicos de passageiros na Madeira. O STRAMM defende que os trabalhadores e as empresas que asseguram este serviço devem estar subordinados a uma única tutela pública e integrados numa verdadeira lógica de serviço público. Na perspectiva do sindicato, esta alteração permitiria uma maior uniformização dos salários e das condições de trabalho em todo o sector e evitaria que, a cada processo negocial, os trabalhadores voltassem a confrontar-se com argumentos relacionados com constrangimentos financeiros.

O STRAMM considera que o transporte público de passageiros é essencial para a população e para o desenvolvimento da Região e defende, por isso, a valorização dos profissionais que asseguram diariamente este serviço.

A partir do mandato recebido esta segunda-feira, o sindicato pretende agora prosseguir as negociações, sem excluir outras formas de intervenção caso não sejam encontradas respostas para as reivindicações dos trabalhadores.