DNOTICIAS.PT
Mundo

Repórteres Sem Fronteiros pedem investigação a desaparecimento de jornalista no Níger

None

A Organização Não Governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF) defendeu hoje a abertura de um inquérito ao desaparecimento do diretor de uma estação de televisão privada no Níger, país governado com 'mão de ferro' por uma junta militar.

"[O diretor da estação de televisão] Moussa Kaka saiu do seu escritório em Niamey, a capital do país, no dia 31 de agosto, por volta das 19:00, para regressar a casa; nunca chegou lá", escreve a ONG, salientando que o desaparecimento de pessoas críticas do regime tem sido cada vez mais frequente.

"O desaparecimento de Moussa Kaka, jornalista de renome, é particularmente preocupante, numa altura em que o Níger atravessa um novo período de fortes tensões políticas e de segurança; a RSF acompanha a situação com atenção e apela às autoridades nigerinas para que abram imediatamente uma investigação com vista a localizá-lo", afirmou o diretor do gabinete da ONG para a África subsaariana, Sadibou Marong.

O Níger é governado desde 2023 por uma junta militar regularmente acusada pelas ONG de violações da liberdade de imprensa, e o desaparecimento do jornalista, que tinha sido detido em novembro de 2025 por "divulgação de documentos suscetíveis de perturbar a ordem pública", ocorre poucos dias após um motim que abalou Niamey durante cerca de 24 horas e que o regime reprimiu com a ajuda decisiva da Rússia.

Moussa Kaka é diretor da Radio Télévision Saraounia (RTS), um meio de comunicação audiovisual privado, e foi durante muitos anos correspondente da Radio France Internationale (RFI), meio de comunicação suspenso pela junta que, desde a chegada ao poder em 2023, tem conduzido uma política abertamente hostil à França.

Segundo o meio de comunicação Aïr Info, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP), o antigo ministro da Defesa do regime derrubado, Kalla Moutari, foi também detido na terça-feira, sem que os motivos tenham sido especificados.