Mais mortos e mais desaparecidos nos dois lados da fronteira com o Nepal
Principais desenvolvimentos das últimas horas após a enxurrada devastadora ocorrida na quarta-feira nos Himalaias, na fronteira entre a China e o Nepal, com base na agência francesa AFP:
Nepal: novo salto no número de desaparecidos para 2.426 e há 626 mortos
O número de desaparecidos aumentou de 1.924 para 2.426 pessoas, incluindo mais de 500 turistas estrangeiros, anunciou hoje a autoridade nepalesa responsável pela gestão de emergências.
Entre os estrangeiros incontactáveis há três portugueses, dos seis que tinham sido sinalizados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, depois de terem sido localizados três.
A autoridade nepalesa fixou também em 626 o número de mortos, um ligeiro aumento face aos 616 registados anteriormente pela polícia.
China: Encontradas mais duas vítimas mortais
Do lado chinês, o balanço também aumentou para sete mortos, pelo que o número de vítimas mortais apurado até agora nos dois lados da fronteira passou para 633.
A China também anunciou 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros, mas sem especificar as nacionalidades.
Operações de resgate prosseguem
Os esforços para procurar os desaparecidos e resgatar os sobreviventes prosseguiam hoje, embora as hipóteses de encontrar pessoas com vida estejam a diminuir.
Na sexta-feira, estas operações tinham sido perturbadas tanto do lado nepalês como do lado chinês devido a alertas de possíveis deslizamentos de terra, que foram posteriormente levantados.
China: mais de 2.000 socorristas no local
Do lado chinês, 2.141 socorristas estão agora no local, bem como 86 especialistas encarregados de monitorizar os riscos geológicos que podem ameaçar as equipas de resgate, que progridem com cautela, informou hoje a agência Nova China.
Segundo a agência estatal, pouco mais de 500 socorristas conseguiram aceder, com grandes dificuldades, ao centro da zona afetada, perto do posto de fronteira devastado de Gyirong.
Operações perigosas na China
Na China, o resgate é dificultado pela chuva, pelo corte das vias de acesso, pelo relevo íngreme e pelo risco de transbordo de uma albufeira a montante.
A televisão pública CCTV transmitiu imagens de bombeiros com capacetes a atravessar uma torrente em barcos pneumáticos pretos ou a serem transportados um a um para a outra margem com a ajuda de um drone de grande capacidade.
"A maior dificuldade é, antes de mais, garantir a segurança dos nossos militares", declarou à CCTV Jiang Wanqiang, elemento da Polícia Armada Popular, equivalente na China à GNR portuguesa e destacada designadamente em catástrofes naturais.
Sobreviventes relatam a devastação
As imagens da AFPTV de hoje em Nuwakot, do lado nepalês, mostram um cenário de devastação com veículos enterrados na lama que cobre as ruas.
A chuva continua a cair, correndo o risco de alimentar novas inundações.
"Fui resgatado de helicóptero. Ficámos ali, perto da central hidroelétrica no rio Budhigandaki, durante dois dias até chegar a nossa vez de ser resgatados", contou Buddhi Ram Dangol, um sobrevivente nepalês de 43 anos.
"Todas as habitações perto do rio foram arrastadas. Não resta nada", acrescentou, em declarações à AFP.
Ajuda de emergência
Entre os anúncios mais recentes, a União Europeia prometeu ao Nepal dois milhões de euros, uma verba que permitirá prestar "uma ajuda vital às famílias e comunidades mais severamente afetadas", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O Canadá anunciou a disponibilização de cinco milhões de dólares canadianos (3,1 milhões de euros) "para apoiar os esforços de socorro de emergência no Nepal", declarou o secretário de Estado canadiano do Desenvolvimento Internacional, Randeep Sarai.
Oferta de reforços da China
"A China está pronta para ajudar ativamente o Nepal nos esforços de resgate e para fornecer todo o apoio e assistência disponíveis", afirmou o Presidente Xi Jinping numa mensagem de condolências enviada ao homólogo nepalês, Ram Chandra Paudel.
Xi presidiu na sexta-feira a uma reunião para "mobilizar todos os meios disponíveis no sentido de localizar e salvar as pessoas desaparecidas, sejam chinesas ou estrangeiras", noticiou a agência Xinhua.
Cerca de uma centena de trabalhadores bloqueados num túnel
As equipas de resgate nepalesas tentam resgatar mais de uma centena de trabalhadores bloqueados num túnel no estaleiro de construção da barragem hidroelétrica de Trishuli.
"Foram enviados dois helicópteros para o local, mas continua a ser muito difícil localizar as entradas do túnel", disse hoje um porta-voz do exército, Raja Ram Basnet, à AFP.
O porta-voz precisou que 350 trabalhadores e residentes da zona já tinham sido resgatados "em condições muito arriscadas e dificultadas pelas condições meteorológicas e pela enxurrada".