Guterres defende entrada de jornalistas internacionais nos EUA após restrições
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu esta segunda-feira uma política que permita a entrada nos Estados Unidos do máximo número possível de jornalistas internacionais, após o Governo norte-americano aplicar restrições de visto a correspondentes.
"É claro que os países têm o direito de decidir sobre as suas políticas de vistos, mas esperamos ver aqui, no nosso país de acolhimento [Estados Unidos], uma política que permita a entrada do máximo possível de jornalistas internacionais, incluindo para cobrir as atividades da ONU", respondeu o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, quando questionado sobre as novas restrições de visto aplicadas pelo Governo de Donald Trump a correspondentes.
O Governo norte-americano anunciou no mês passado a imposição de novas restrições de visto a correspondentes internacionais, com as quais procura limitar a permanência de profissionais estrangeiros nos Estados Unidos a 240 dias.
As mesmas deverão entrar em vigor em 15 de setembro.
Atualmente, a maioria dos portadores de vistos I (jornalistas estrangeiros) são admitidos nos Estados Unidos através de um sistema de "duração de estatuto", que lhes permite permanecer no país enquanto mantiverem as suas atividades como funcionários de órgãos de comunicação social nesse período, que pode ser de vários anos.
No caso da Categoria I, para profissionais de comunicação social, a nova norma estabelece um prazo máximo de permanência de 240 dias, período que se reduz para 90 dias no caso de jornalistas de nacionalidade chinesa, exigindo assim que as prorrogações sejam solicitadas com muito mais frequência para quem deseja permanecer em território norte-americano.
A medida foi duramente criticada pelo Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma organização norte-americana sem fins lucrativos que considerou que as novas normas abandonam uma política de décadas que permitia a jornalistas estrangeiros reportar nos Estados Unidos "sem o receio de que o seu estatuto de visto pudesse ser usado contra eles".
"Esta é a mais recente escalada documentada pelo CPJ, seguindo um padrão de violações profundamente preocupantes da liberdade de imprensa por parte deste Governo. É o comportamento de uma democracia em retrocesso, não da vanguarda internacional da liberdade de expressão", denunciou em julho José Zamora, diretor regional do Comité para a Proteção dos Jornalistas para as Américas.