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Guerra no Irão Mundo

Paris e Riade pedem solução negociada enquanto EUA intensificam ofensiva económica

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Foto EPA

França e a Arábia Saudita apelaram hoje para uma solução negociada para o conflito entre os Estados Unidos e o Irão e instaram Teerão a retomar plena cooperação com a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

Este apelo de Paris e Riade surge no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram uma nova ofensiva para isolar economicamente o Governo iraniano, com a imposição de um novo pacote de sanções económicas e ameaças de isolamento também aos países que mantiverem relações comerciais com a República Islâmica.

Num comunicado conjunto divulgado após uma reunião no Palácio do Eliseu, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, sublinharam a necessidade de evitar uma escalada ainda maior do conflito e de encontrar uma solução diplomática que assegure a segurança regional.

"É necessária uma solução negociada para evitar uma escalada ainda maior e garantir a segurança regional", sustentaram os dois líderes no texto.

Macron e Bin Salman reiteraram também o seu apoio a uma solução diplomática que garanta a natureza pacífica do programa nuclear iraniano e apelaram a Teerão para que retome cooperação total com a agência nuclear da ONU.

EUA querem "cortar todos os recursos económicos" que "mantêm vivo regime tirânico"

O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou hoje a intenção do Governo dos Estados Unidos de "cortar todos os recursos económicos" que "mantêm vivo o regime tirânico iraniano".

"O Irão enfrenta uma escolha muito clara, com apenas dois caminhos possíveis: o isolamento total e uma economia de subsistência, ou um regresso à normalidade, com a oportunidade de se reintegrar na economia global", advertiu Bessent numa conferência de imprensa destinada a apresentar um novo pacote de sanções de Washington a Teerão.

Segundo o secretário do Tesouro, a nova ronda de sanções dos Estados Unidos ao Irão visará setores considerados "vitais" para Teerão, entre os quais o ouro, os ativos digitais e o transporte marítimo.

"As novas decisões sobre sanções setoriais hoje divulgadas visam cinco dos setores vitais do Irão, com os quais o país lucra no estrangeiro: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo", enumerou o responsável, alertando de que haverá "uma aceleração" de processos contra "qualquer pessoa suficientemente imprudente" para negociar com o Irão.

Além disso, o governante avisou também que os Estados que permitirem que entidades suas "facilitem o branqueamento de capitais em nome do Irão" serão "expulsos do sistema do dólar", acrescentando que "a contagem decrescente começou".

De forma mais ampla, Bessent advertiu de que os países que não participarem nas sanções norte-americanas "partilharão o isolamento do Irão", depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter no fim de semana apelado a vários países para se juntarem à sua "guerra económica" à República Islâmica.

Questionado sobre se a China também poderá ser afetada por estas ameaças, Bessent afirmou que "ninguém está fora do alcance das sanções norte-americanas".

"Responsabilizaremos todos. Isto significa o estrangulamento económico deste regime. Ninguém deve testar a nossa determinação" nesta matéria, acrescentou.

A China, parceira económica estratégica do Irão, criticou esta iniciativa, argumentando que "as sanções e a pressão" norte-americanas não contribuirão para resolver o conflito no Médio Oriente.

Teerão, por sua vez, afirmou que "haverá consequências" para os países que aderirem à campanha de pressão económica norte-americana, considerando estas medidas uma "admissão de derrota" por parte de Washington.

Hoje, na sua rede social, Truth Social, Trump afirmou que o Irão "está a entrar em colapso total".

"O Presidente ligou aos líderes mundiais com um pedido expresso para que pusessem fim às suas interações com o regime [teocrático iraniano]. E já estamos a ver os resultados", assegurou hoje Scott Bessent.

Também a situação do estreito de Ormuz, por onde transita uma parte importante do comércio mundial de petróleo, ocupou um lugar de destaque na declaração franco-saudita.

Ambos os países condenaram os ataques a navios cargueiros e as ameaças à segurança das rotas marítimas e exortaram ao regresso à normalidade da navegação pelo estreito, com liberdade de circulação, tráfego comercial regular e sem portagens ou restrições diretas ou indiretas.

França e Arábia Saudita sublinharam ainda a necessidade de preservar a segurança das rotas marítimas e de reforçar a cooperação internacional para garantir o fornecimento de energia.

Na próxima sexta-feira, completam-se seis meses desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de fevereiro, um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

O memorando de entendimento que proporcionou uma trégua temporária na guerra expirou, e não estão em curso negociações concretas para pôr fim ao conflito, mantendo Teerão o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial e uma elevada percentagem de fertilizantes necessários ao cultivo de alimentos para a população mundial, ao passo que Washington impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.