O Porto Santo é Portugal?
Não há nenhum que não fique surpreso (até revoltado) pela inexistência de transporte aéreo
Sou, como sabem muitos há muito, um amante do Porto Santo. Pelo que a ilha proporciona. Pelas memórias que me traz das minhas infância e adolescência, quando passava tempos infindos na ilha da Inhaca, em Moçambique, onde familiares meus desenvolveram um projeto hoteleiro.
De há alguns anos a esta parte é mesmo local de residência preferencial. Pela reforma que chegou e o permitiu. Mas também pela circunstância de podermos estar, a todos os níveis, no centro do mundo, pelas disponibilidades tecnológicas existentes.
Esta realidade e o facto de fazer bastante desporto, têm-me permitido contactar gente de vários cantos do mundo. Uns que aqui decidiram fixar-se após a reforma e outros que aqui fazem ainda algum trabalho conceptual e criativo online, e que só saem da ilha quando é imperioso.
Ora, não há nenhum, dos com quem fale, que não fique surpreso (até revoltado) pela inexistência de transporte aéreo direto, entre Lisboa e a ilha, entre meados / final do Outono e até à Primavera.
Quer por saberem que é um dos fatores determinantes para aumentar a atratividade da ilha, como por serem conhecidos os inúmeros constrangimentos do aeroporto da Madeira, que se constituem como uma agravante indiscutível.
Dei-lhes nota de que essa matéria é, há muito, uma reivindicação da população Portosantense e da própria hotelaria. Mas que os responsáveis políticos primaciais do país, nomeadamente os governos e Presidentes da República (na sua função de garantes da unidade nacional e dos direitos, liberdades e garantias de todos os Portugueses), nada fizeram, até agora (apesar de alertados) para garantir que se ultrapassa essa situação. Que prejudica, definitivamente, todos os Porto-Santenses.
Mais! Que os transforma e às empresas da ilha, em filhos de um deus menor. Sem rodeios, em portugueses de segunda.
Referiu-me um deles, que aqui reside há mais de uma meia dúzia de anos, e que tem de deslocar-se, regularmente, a diversos locais do mundo, que pondera, verdadeiramente, abandonar a ilha. À minha pergunta sobre se a Madeira podia ser alternativa, afiançou que não. Por uma razão simples. Porque, nas suas próprias palavras, movimento e caos já tem que chegue quando vai às grandes metrópoles, sendo que a enorme atratividade da ilha dourada é precisamente o pouquíssimo movimento durante a maior parte do ano e o acesso tecnológico de qualidade que disse dar-lhe excelentes condições de trabalho.
E mais me disse, demonstrando o conhecimento que resulta da observação cuidada da questão. Que é estranho que, durante esse período e tendo a frota da (dita) Air Portugal aviões de dimensão ajustada para destinos com estas características (como os Embraer), não seja viável ter um, dois ou três voos por semana, com essas aeronaves e no citado período, de que todos beneficiariam. Residentes, estudantes da ilha que estão fora da Região e todos quantos desejem visitar a ilha, sem ter de sujeitar-se a mais constrangimentos aeroportuários.
Dito isto, mantém-se o alerta, de tantos nestas páginas, sobre a necessidade de serem tomadas, em terra, um conjunto de ações que garantam o tal destino de qualidade que todos desejamos, tema que também tomarei a liberdade de abordar em próxima oportunidade.