NASA confirma que destroços de foguetão da SpaceX atingiram a Lua
Uma parte superior de um foguetão da empresa espacial SpaceX colidiu hoje de forma não planeada com a superfície lunar, confirmou a agência espacial norte-americana NASA.
Num vídeo publicado na rede social X, a NASA classificou o acontecimento como um evento seguro e sem risco para a Terra e para as missões que operam na Lua.
Esta parte superior do foguetão resultou de um lançamento realizado em 2025 que permitiu colocar em órbita o módulo de aterragem Blue Ghost One, da empresa norte-americana Firefly Aerospace, como parte da iniciativa CLPS (Commercial Lunar Payload Services) da NASA, um programa de serviços comerciais para transportar cargas científicas e tecnológicas para a superfície lunar.
Segundo explicou a NASA, a colisão ocorreu devido a uma combinação de atividade solar e das forças gravitacionais que alteraram a trajetória do objeto.
"A NASA não planeou deliberadamente que esta parte superior colidisse com a Lua", explicou uma porta-voz da agência no vídeo, que indicou que este tipo de eliminação de equipamento é uma prática aceite nas operações lunares.
"Na realidade, este é um método tecnicamente aceite e seguro para descarte de equipamentos em órbita lunar baixa", afirmou.
A agência acrescentou que alguns operadores optam por terminar as suas operações fazendo com que os equipamentos impactem na superfície lunar, porque "é uma estratégia previsível e verificável para eliminar equipamento no fim da sua vida útil".
O impacto não representa qualquer perigo para a Terra nem para qualquer equipamento que se encontre na Lua, sublinhou a NASA.
"Os cientistas estão desejosos de estudar este evento de impacto, pois pode ajudar-nos a compreender melhor como rastrear coisas deste tipo no futuro", afirmou.
A NASA explicou que a Lua funciona como um "laboratório natural para estudar processos que ocorrem em todo o sistema solar", devido à ausência de atmosfera e à sua superfície permanecer estável durante longos períodos.
O estudo deste tipo de impactos permite aos cientistas analisar a formação de crateras, um fenómeno que ocorre em diferentes corpos do sistema solar.
"Ao fazer tocar um objeto de tamanho conhecido a uma velocidade conhecida contra a superfície lunar, isso pode ajudar os cientistas a compreender o processo de formação de crateras por impacto e que tipo de cratera resulta de um impacto desse tamanho", acrescentou.
A agência lembrou que a Lua tem recebido impactos de forma constante durante os seus aproximadamente 4.000 milhões de anos de história.
"Meteoritos, asteroides, cometas e outros objetos colidem com a Lua a toda a altura", indicou.
Além disso, a NASA destacou que os astronautas da missão Artemis II observaram este ano, durante um sobrevoo lunar de poucas horas, vários fenómenos de impacto, incluindo clarões de impactos ativos ou crateras a formarem-se na superfície.