Pelo menos 24 milhões de africanos podem ser afetados pelo El Niño até 2027
O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou hoje que pelo menos 24 milhões de pessoas em África podem ser afetadas pelo fenómeno El Niño até final de 2027 e antecipou uma ação de ajuda.
Uma análise do PAM mostra que o fenómeno El Niño deverá piorar significativamente a insegurança alimentar em alguns dos países mais vulneráveis do mundo até 2027, de acordo com um comunicado de imprensa divulgado.
A agência das Nações Unidas explicou que os maiores impactos são esperados em partes da América Central e da África Austral, prevendo-se também efeitos significativos na África Oriental e no Sul e Sudeste Asiático.
Relativamente à África Oriental e Austral, estas regiões enfrentam riscos substanciais, particularmente onde as próximas épocas de chuvas são cruciais para a produção alimentar, referiu.
"Mais de 18 milhões de pessoas poderão ver a sua segurança alimentar deteriorar-se, o que representa um aumento de 26%, sendo que os países da África Austral estão particularmente expostos porque muitas famílias dependem da agricultura de subsistência, que, por sua vez, está dependente da chuva", explicou.
Já a África Ocidental e Central também corre riscos, prevendo-se que a insegurança alimentar aumente 12%, afetando quase mais seis milhões de pessoas, acrescentou.
Nesse sentido, de forma geral, de acordo com a nota de imprensa, o PAM agiu antecipadamente em países africanos como o Chade, a Mauritânia, o Sudão do Sul e o Uganda e em El Salvador e Guatemala, em maio, fornecendo mais de 14 milhões de dólares (cerca de 12 milhões de euros no câmbio atual) em ajuda vital a meio milhão de pessoas.
Essa ajuda inclui a "ampliação dos seus mecanismos de financiamento pré-organizados - como seguros de risco de desastres, crédito e pagamentos digitais - para disponibilizar mais dinheiro a um custo inferior", indicou a agência.
Além disso, o PAM e os seus parceiros "estão a agir precocemente, preparando-se para inundações, secas e tempestades antes que estas ocorram, para reduzir as necessidades humanitárias", referiu, acrescentando que, juntamente com outros organismos da ONU, tem planos de ação antecipada ativos em mais de 50 países.
O El Niño é uma ameaça significativa para a segurança alimentar de milhões de pessoas que já são vulneráveis, afirmou o diretor-executivo do PAM, Carl Skau.
Prevê-se que o El Niño atinja o pico entre setembro e dezembro deste ano, mas em muitos locais os efeitos serão sentidos ao longo de 2027, devido aos impactos nos futuros ciclos de colheita, explicou a agência da ONU.
"Secas, inundações e temperaturas extremas já estão a colocar as comunidades em risco", alertou.