Resgatadas 157 pessoas quando tentavam atravessar Canal da Mancha
As autoridades francesas e britânicas resgataram hoje 157 migrantes depois de o barco em que seguiam se ter incendiado durante uma tentativa de travessia do Canal da Mancha, entre os dois países.
"Um pequeno barco pegou fogo na fronteira entre as águas francesas e britânicas, levando os seus ocupantes a saltar para a água" hoje de manhã, explicou a direção do departamento de Pas-de-Calais (norte de França), acrescentando que não há relatos de vítimas "até ao momento".
Esta é uma das maiores operações de resgate marítimo desde o início das travessias do Canal da Mancha em embarcações improvisadas, em 2018.
Nos últimos dias, os recordes de pessoas resgatadas ou a bordo de pequenas embarcações socorridas pelas autoridades de ambos os lados do Canal da Mancha têm-se multiplicado.
Na quarta-feira da semana passada, as equipas britânicas registaram a chegada de 752 migrantes irregulares através do Canal da Mancha em pequenas embarcações na quarta-feira, um número recorde num único dia desde o início do ano, segundo o Ministério do Interior britânico.
O recorde diário anterior deste ano era de 710 chegadas, registado a 15 de junho, e o recorde histórico é de 1.305 entradas no Reino Unido num único dia, verificado no início de setembro de 2022.
O aumento de entradas através do Canal da Mancha -- que liga o norte de França ao Reino Unido - coincidiu com vários incidentes trágicos, incluindo a morte de quatro migrantes em operações de socorro ao largo da costa francesa.
O número acumulado de migrantes que cruzaram, este ano, o Canal da Mancha em pequenas e precárias embarcações superou as 13.300 pessoas, embora este indicador represente uma queda de cerca de 45% em comparação com o mesmo período de 2025.
O recente aumento nas travessias e a tática dos traficantes de lançar um grande número de embarcações ao longo da costa francesa --- descrita como "assalto total", para sobrecarregar a fiscalização --- acontecem em paralelo com uma forte cooperação bilateral.
As redes de tráfico têm colocado barcos cada vez mais cheios de pessoas no mar, chegando, na semana passada, a serem contabilizadas 152 pessoas numa única embarcação insuflável.
O Reino Unido e França têm um acordo de devolução mútua de migrantes ("one in, one out"), que está em vigor até outubro, e que implica que os migrantes sem documentos que cruzem o Canal da Mancha a partir da costa francesa sejam devolvidos a França desde que, em troca, o Reino Unido acolha, através de rotas legais, outro refugiado ou requerente de asilo que se encontre em solo francês.
O objetivo deste acordo, adotado no ano passado pelo então primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, visa combater as redes de tráfico humano, demonstrando aos migrantes que a travessia irregular resultará no seu regresso imediato a França, e que existem vias legais e seguras para entrar em território britânico.
A maior parte dos migrantes que cruzam o Canal da Mancha em pequenas embarcações provém de países marcados por conflitos armados ou regimes autoritários, como a Eritreia, o Afeganistão, o Sudão, o Irão ou a Somália.
O controlo da imigração irregular é um dos temas mais sensíveis e debatidos na política do Reino Unido.
O Governo britânico, liderado pelos trabalhistas, tem destacado a queda do total de chegadas em 2026, mas os partidos da oposição e críticos à direita afirmam que a redução não é suficiente, apontando que os traficantes apenas mudaram de tática, usando agora barcos maiores.