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Presidente da Comissão Europeia condena violência contra ciganos na UE

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Foto OLIVIER MATTHYS/EPA

A presidente da Comissão Europeia condenou hoje a exclusão social, discriminação e violência contra a comunidade cigana na União Europeia e pediu união no combate ao racismo e ao ódio em "todas as suas formas".

"O anticiganismo continua a ser um desafio persistente para muitos ciganos em toda a Europa, perpetuando desigualdades, exclusão social, discriminação sistémica e violência. Isto é inaceitável. Permanecemos unidos contra a discriminação, o racismo e o ódio em todas as suas formas", afirma Ursula von der Leyen numa declaração divulgada um dia depois de se ter assinalado o Dia Europeu em Memória dos Ciganos Vítimas do Holocausto, em 02 de agosto.

Nessa declaração, igualmente subscrita pela vice-presidente da Comissão Europeia Roxana Mînzatu, com a pasta dos Direitos Sociais, e pela comissária para a Igualdade, Hadja Lahbib, Von der Leyen afirmou que em 02 de agosto de 1944 se escreveu "um dos capítulos mais sombrios da história da Europa".

"Na noite de 02 de agosto de 1944, 4.300 crianças, mulheres e homens das comunidades roma e sinti foram assassinados no [campo de concentração de] Auschwitz-Birkenau", indica a presidente da Comissão Europeia, que refere que, no total, morreram 500 mil ciganos durante o Holocausto, um quarto da população total cigana europeia naquela altura.

Von der Leyen frisou que durante décadas, o sofrimento dos ciganos durante a Segunda Guerra Mundial foi "ignorado, as suas vozes não foram ouvidas e as suas famílias ficaram marcadas por uma ausência que nunca pôde ser colmatada".

"Hoje, homenageamos a sua memória e reafirmamos a nossa responsabilidade comum de garantir que este capítulo do Holocausto nunca seja esquecido nem desvalorizado", frisa.

No entanto, além de "retirar ensinamentos do passado", Von der Leyen defende que é também necessário "enfrentar as injustiças do presente".

Com esse objetivo, a presidente da Comissão Europeia recorda que o executivo comunitário desenvolveu uma estratégia para a população cigana "que promove a inclusão da comunidade em todos os domínios".

"A Estratégia Antirracismo 2026-2030, recentemente adotada, identifica igualmente de forma explícita o anticiganismo como uma forma distinta e particularmente grave de racismo, que exige uma ação específica", acrescenta.

Von der Leyen defende que é "através da memória, da educação e de uma ação determinada" que se pode contribuir para uma União Europeia (UE) onde "todas as pessoas podem viver com dignidade, igualdade e liberdade".

"O ódio não tem lugar na Europa. 'Na bisteras'. Nunca nos esqueceremos", conclui.

O Dia Europeu em Memória dos Ciganos Vítimas do Holocausto foi estabelecido em 2015 pelo Parlamento Europeu para recordar o genocídio nos territórios ocupados pelos nazis de mais de 500.000 ciganos europeus, que representavam cerca de um quarto do total da população cigana naquela altura.