China condena multa da União Europeia à AliExpress e promete "medidas firmes"
O Governo chinês condenou hoje a multa de 550 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia à plataforma de comércio eletrónico AliExpress e prometeu adotar "medidas firmes" para defender os interesses da empresa.
"A China opõe-se firmemente a que a parte europeia crie barreiras digitais sob o pretexto da regulamentação das plataformas e adote medidas discriminatórias para restringir e reprimir o funcionamento normal das empresas chinesas de comércio eletrónico na Europa", afirmou um porta-voz do ministério do Comércio chinês.
O porta-voz instou a União Europeia a "deixar de abusar da ambiguidade da legislação, e pediu que trate as empresas chinesas "de forma justa e imparcial".
Pequim vai apoiar as empresas chinesas no recurso a instrumentos legais para defenderem os seus direitos e adotará "medidas firmes" para salvaguardar os seus interesses, acrescentou.
A Comissão Europeia anunciou, na segunda-feira, uma multa recorde de 550 milhões de euros à AliExpress, acusando a plataforma de não combater de forma "eficaz" a venda de produtos ilegais, incluindo artigos contrafeitos.
Bruxelas acusou ainda a empresa de "sobrestimar" a capacidade dos seus sistemas informáticos para detetar e remover este tipo de anúncios.
A empresa chinesa respondeu que "esteve e continua empenhada em cumprir as suas obrigações perante os consumidores" e anunciou que vai recorrer da sanção, que classificou como "desproporcionada".
A condenação do Governo chinês coincide com a visita ao país de uma delegação de eurodeputados, que mantém contactos sobre as crescentes fricções entre Pequim e Bruxelas em questões como o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica.
Entre março e abril, uma delegação de eurodeputados da Comissão do Mercado Interno e da Proteção dos Consumidores visitou também a China para transmitir a plataformas como a Shein, a Temu e a AliExpress que as regras europeias de segurança e concorrência devem ser cumpridas no comércio digital.
Das três multas aplicadas até agora pela Comissão Europeia por incumprimento da Lei dos Serviços Digitais, que obriga as plataformas a combater conteúdos ilegais, a sanção à AliExpress é a mais elevada.
A Comissão multou também a plataforma chinesa Temu em 200 milhões de euros, em maio, por não prevenir a venda de produtos ilegais, e a rede social X em 120 milhões de euros, em dezembro de 2025, por falta de transparência.