Autonomia na Triagem de Manchester?
Protecção Civil da Madeira passa a dispor de capacidade própria para formar e requalificar profissionais nesta área
A Secretaria Regional de Protecção Civil anunciou ontem que a Madeira passa a dispor de autonomia na formação de enfermeiros em Triagem Telefónica de Manchester.
Protecção Civil passa a ter autonomia na formação de enfermeiros em Triagem Telefónica de Manchester
Cinco enfermeiros do Serviço de Emergência Médica Regional (SEMER) concluíram o Curso de Instrutor em Triagem Telefónica de Manchester, permitindo à Região Autónoma da Madeira passar a dispor de capacidade própria para formar e requalificar profissionais nesta área.
A expressão pode, contudo, suscitar uma interpretação diferente daquilo que foi efectivamente anunciado. Impõe-se, por isso, clarificar em que consiste esta autonomia.
Autonomia? Não. Formativa, sim.
O comunicado do Serviço Regional de Protecção Civil é claro quanto ao significado da nova competência. Cinco enfermeiros do Serviço de Emergência Médica Regional concluíram o Curso de Instrutor em Triagem Telefónica de Manchester, permitindo ao Centro de Formação e Treino passar a “formar, qualificar e requalificar” os enfermeiros do Serviço de Triagem e Aconselhamento Telefónico.
O próprio organismo fala em “autonomia formativa”, ou seja, na capacidade de assegurar internamente a formação dos seus profissionais, reduzindo a dependência de entidades externas.
O comunicado não anuncia qualquer alteração aos critérios clínicos da triagem. Pelo contrário, descreve a Triagem Telefónica de Manchester como uma ferramenta baseada em “critérios clínicos padronizados”.
Mas o que é, afinal, a Triagem de Manchester?
O Sistema de Triagem de Manchester é um método estruturado de avaliação da prioridade clínica, desenvolvido para estabelecer uma linguagem comum entre profissionais e classificar situações segundo o risco.
No contexto dos serviços de urgência, o sistema trabalha com fluxogramas e discriminadores, conduzindo o profissional através de perguntas para chegar a uma categoria de prioridade.
Na versão hospitalar usada pelo SESARAM, por exemplo, a prioridade é expressa por cinco cores, da emergência à situação não urgente. O próprio SESARAM explica que o enfermeiro segue perguntas previstas no protocolo para atribuir a prioridade.
No caso em análise, porém, o anúncio do SRPC refere-se especificamente à Triagem Telefónica de Manchester, realizada à distância. O objectivo continua a ser avaliar a situação clínica e estabelecer a prioridade de resposta segundo critérios padronizados.
O que mudou, então, na Madeira?
A mudança anunciada pelo SRPC é sobretudo organizativa. Os cinco enfermeiros certificados como instrutores passam a poder formar internamente novos triadores telefónicos e assegurar a actualização e requalificação dos profissionais do STAT.
Na prática, a Região passa a ter dentro de casa a capacidade de formar quem aplica o sistema, mas isso não equivale a passar a definir as regras clínicas do sistema.
