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UE defende publicação de "resultados detalhados" sobre eleições na Zâmbia

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Foto EPA/CHONA S.J MWEMBA

A União Europeia pediu ontem a publicação de "resultados detalhados" das eleições na Zâmbia, alertando que as irregularidades na contagem dos votos "pioraram significativamente" após a suspensão do processo durante algumas horas, na sexta-feira.

"A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (EU EOM) reitera o seu apelo à máxima transparência e recorda o benefício que a publicação de resultados desagregados, detalhados mesa a mesa, representa para a construção de confiança", lê-se num comunicado citado pela agência espanhola de notícias, a Efe.

Até à suspensão do processo de contagem dos votos durante algumas horas, na sexta-feira, a EU EOM avaliou a contagem de forma positiva em 43% dos 64 centros onde os seus observadores estavam presentes, mas após a aplicação e o subsequente levantamento dessa medida, "o desempenho geral da apuração dos resultados piorou significativamente"

A Comissão Eleitoral da Zâmbia (ECZ), país vizinho de Angola e Moçambique, ordenou na sexta-feira a suspensão da contagem dos votos depois de incidentes violentos contra o pessoal eleitoral, que, em alguns casos, incluíram o roubo de urnas.

Segundo a EU EOM, num grande número de casos, o pessoal dos centros de apuramento não registou os resultados na folha de controlo assim que estes foram anunciados pelo responsável pela contagem, tal como previsto nos regulamentos do processo eleitoral.

Os observadores relataram pausas prolongadas durante a contagem em quase metade das mesas, enquanto os funcionários "pareciam esperar e receber instruções da sede central da ECZ antes de anunciarem os resultados".

A "forte presença militar" após a suspensão "revelou-se intimidante" e levou os representantes dos partidos políticos e os observadores cidadãos a abandonarem os centros de votação, acrescenta-se ainda no texto.

A ECZ declarou o atual Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, vencedor das eleições com 60,5% dos votos, muito à frente do principal rival, o ex-ministro Brian Mundubile, que obteve 37,9% dos votos.

A Zâmbia tem uma importância estratégica e tornou-se um dos palcos da competição geopolítica mundial entre potências como a China, os EUA e a UE, devido à sua riqueza mineral e, em particular, às suas reservas de cobre.