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'Pressão alta' do Marítimo esteve na origem dos dois golos em Famalicão?

Equipa de Mitchell van der Gaag deu a volta ao resultado em Famalicão com um golo aos 90+4’. Antes disso, a defesa famalicense já tinha ficado ‘mal na fotografia’. Mas, analisando cada lance ao pormenor, terá sido apenas erro dos defesas e/ou do guarda-redes adversário? Ou houve também mérito do Marítimo, nomeadamente na ‘pressão alta’, como defende um leitor no Facebook do DIÁRIO?

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O Marítimo venceu por 2-1 em Famalicão, na 2.ª jornada da I Liga, depois de ter estado a perder por 1-0. A reviravolta surgiu em dois lances nos quais a defesa e o guarda-redes famalicenses ficaram ‘mal na fotografia’. Mas terão sido apenas erros individuais do Famalicão a explicar os dois golos verde-rubros? Um leitor do Facebook do DIÁRIO chama a atenção para outro pormenor: “a pressão alta deu fruto nos dois golos”. A questão passa, por isso, por perceber até que ponto os erros dos famalicenses resultaram apenas de falhas próprias ou foram também condicionados pela pressão dos jogadores do Marítimo na saída de jogo do adversário.

Analisemos cada um dos golos da equipa orientada por Mitchell van der Gaag. O primeiro nasce de um lançamento lateral do Famalicão, ainda no seu meio-campo defensivo, mas ligeiramente à frente da grande área. A bola é lançada na direção do guarda-redes Lazar Carević, que, no momento em que a recebe, já tem Adrián Butzke em cima. O avançado do Marítimo inicia o movimento de pressão antes mesmo de o guarda-redes conseguir dominar a bola. Carević tenta controlá-la, mas domina mal, pressionado pela aproximação de Butzke, e a bola sobra diretamente para o avançado verde-rubro, que remata com estrondo ao poste.

Quando o poste ‘devolve’ a bola, por assim dizer, há quatro jogadores do Marítimo contra quatro do Famalicão, excluindo o guarda-redes Lazar Carević. Ou seja, mesmo nesse momento, os verde-rubros não estão em inferioridade numérica no ataque. E porquê? Porque a pressão já está instalada desde o momento do lançamento lateral do Famalicão. A bola acaba por voltar do poste e fica praticamente à entrada da área, onde Simo Bouzaidi aparece sem qualquer tipo de marcação. O remate dá origem ao golo do empate. Foi essa a opção encontrada e resultou. Mas poderia ter sido outra e, ainda assim, ter dado no mesmo desfecho. Além de Simo Bouzaidi, os verde-rubros tinham já dois jogadores dentro da área, Raphael Guzzo e Adrián Butzke, e outro à entrada da área, Martín Tejón.

Vamos agora ao segundo golo do Marítimo. A bola vai para uma zona em que o jogador do Famalicão não dispõe de muitas soluções. Isto porque a equipa procurava sair em posse, na tentativa de acelerar a transição e aproveitar um eventual desequilíbrio do Marítimo. Só que, nesse momento, a pressão dos verde-rubros volta a condicionar a saída de jogo.

Mas a bola vai para uma zona em que o jogador famalicense teria, naturalmente, alguma dificuldade para sair a jogar. Vamos ao pormenor. Há quatro jogadores do Marítimo que praticamente o cercam, já dentro da área do Famalicão. Léo Realpe, central famalicense, tem de decidir rapidamente e opta pelo passe curto para um colega que está a pouco mais de cinco metros, mas praticamente sobre a marca de grande penalidade. Se a combinação resultasse, a ideia seria depois tentar lançar o contra-ataque. Mas acontece precisamente o contrário: a bola bate no colega e sobra para Maurice Boakye, que remata de primeira, surpreendendo o guarda-redes. A bola passa por entre as pernas de Lazar Carević e dá o 2-1 ao Marítimo.

Também no segundo golo, a pressão do Marítimo assume particular importância. Com o empate no marcador, perante a ameaça de uma eventual transição rápida do Famalicão, seria natural que os verde-rubros optassem por baixar as linhas e privilegiassem a segurança, sobretudo sabendo que o adversário procuraria arriscar tudo na tentativa de chegar ao 2-1. Mas o Marítimo manteve a pressão, condicionou a saída de bola do Famalicão e acabou por beneficiar de mais um erro dos famalicenses para chegar ao golo da vitória.

Note-se que Maurice Boakye começa imediatamente a pressionar Léo Realpe, o jogador que acaba por executar mal o passe. Ao mesmo tempo, Tomás Tavares ‘fecha’ à entrada da área e reduz as linhas de passe disponíveis. No corredor direito, apesar de o Famalicão ter quatro jogadores, o Marítimo mantém dois, impedindo que esses jogadores sejam opções imediatas para a saída de bola da equipa de Carlos Carvalhal.

Assim, a análise dos dois lances permite dar razão ao leitor do DIÁRIO quando afirma: “Saber sofrer e aproveitar as oportunidades. Além disso, a pressão alta deu fruto nos 2 golos”. Em ambos os golos, a pressão do Marítimo condicionou a saída de bola do Famalicão e esteve na sequência dos erros que acabaram por permitir a reviravolta.

A pressão alta esteve, efetivamente, na origem dos dois golos. É verdade que os adversários erraram, mas a dimensão desses erros seria incomensuravelmente menor sem a pressão alta - e bem feita, por sinal - do Marítimo.

“Saber sofrer e aproveitar as oportunidades. Além disso a pressão alta deu fruto nos dois golos” - Comentário de leitor no Facebook do DIÁRIO