JPP denuncia abandono de São Gonçalo
O Juntos Pelo Povo (JPP) realizou este sábado uma visita de trabalho à freguesia de São Gonçalo, com a presença de autarcas, deputados e dirigentes, com o objectivo de ouvir as populações e identificar problemas.
No decurso da visita, autarcas e dirigentes do JPP sinalizaram problemas que demonstram “uma preocupante falta de investimento público em áreas onde as questões esperam há anos por respostas adequadas”.
Entre as situações identificadas está o estado da escarpa sobranceira à Rua Conde Carvalhal, “uma zona crítica, a precisar de investimento urgente na sua consolidação”, por representar um perigo para a segurança rodoviária, pessoas e bens.
O JPP recomenda uma avaliação imediata à escarpa por parte das entidades competentes, referindo que “o sensato é avaliar já a situação e agir de seguida, e não esperar que a desgraça aconteça”.
A habitação também tema na conversa com os munícipes. A terceira fase do Complexo Habitacional de São Gonçalo arrancou em 2022, com financiamento do PRR para a construção de 27 apartamentos, tendo a conclusão sido inicialmente apontada para 2024.
Entretanto, os prazos foram sucessivamente adiados e, já em 2026, a execução continua sem respeitar nenhum dos calendários anunciados pelo PSD/CDS. Resultado, são já quatro anos para construir apenas 27 apartamentos, com financiamento europeu destinado precisamente a responder à emergência habitacional, esta é uma situação que exige explicações. “Não basta anunciar casas. É preciso construí-las, concluí-las e entregá-las a quem precisa, respeitando os prazos prometidos”, sublinha o maior partido da oposição.
A mobilidade interna e externa é outro problema que a população de São Gonçalo continua a enfrentar. Numa freguesia envelhecida e com uma geografia marcada pelas zonas altas, com carência de carreiras nos transportes públicos, quem não tem carro fica muitas vezes condicionado para se deslocar dentro da própria freguesia ou até ao centro.
“Quando não há transporte adequado, não há verdadeira mobilidade”, refere o partido. “O JPP considera igualmente incompreensível a falta de uma estratégia de valorização do centro da freguesia, que continua sem o investimento e a dinamização que merece. Não é necessário fazer obra por fazer obra, muito menos descaracterizar aquilo que é autêntico, mas também não é aceitável deixar um centro de freguesia sem uma estratégia de requalificação durante décadas”.
São Gonçalo tem, simultaneamente, um dos maiores patrimónios paisagísticos do Funchal, com inúmeros miradouros e vistas privilegiadas sobre a cidade. Este potencial está subaproveitado. O JPP defende uma estratégia concreta para qualificar, promover e valorizar estes espaços, transformando-os numa oferta diferenciadora dentro do concelho do Funchal e numa oportunidade para a freguesia. “São Gonçalo tem paisagem, património e identidade. Falta investimento e uma visão capaz de transformar esses recursos em benefício de quem vive na freguesia”, alegam.
Para o JPP, São Gonçalo não pode continuar a ser uma freguesia de potencial adiado. Há problemas de segurança que exigem resposta, habitação pública com atrasos incomuns, pessoas sem alternativas adequadas de mobilidade e um território com enormes recursos que continua sem uma estratégia de valorização.
O JPP entende que a população de São Gonçalo tem o direito de conhecer quais são as respostas concretas da Câmara Municipal do Funchal, do Governo Regional e também da Junta de Freguesia para estes problemas. “São Gonçalo não precisa de mais promessas e anúncios. Precisa de investimento, compromisso e respostas. É isso que o JPP continuará a exigir”, concluiu.