Vamos duplicar a habitação Municipal
Nunca a Câmara Municipal de Câmara de Lobos teve tantas habitações públicas em construção e em desenvolvimento ao mesmo tempo. São 105 novos fogos, num investimento superior a 28,5 milhões de euros, o maior de sempre promovido pelo Município nesta área, tanto em número de habitações como em valor. Mais do que um marco administrativo ou financeiro, esta dimensão traduz uma escolha muito clara de colocar a habitação pública no centro das políticas de valorização das pessoas e de preparação do futuro do nosso Concelho.
Nos próximos três anos iremos duplicar o parque habitacional público municipal, que deverá ultrapassar as 250 habitações. É uma meta exigente, temos a perfeita noção desse objetivo, mas é necessária perante uma realidade que afeta cada vez mais famílias. O acesso a uma casa deixou de ser apenas uma questão social. É hoje um fator determinante para a autonomia dos jovens, para a estabilidade familiar, para a fixação da população e para a capacidade do Município como o nosso que pretendente manter os câmara-lobenses cá dentro.
Para que se perceba o que estamos aqui a falar, neste momento estão em construção 58 habitações: 23 apartamentos no Estreito de Câmara de Lobos, 32 casas no Castelejo e três apartamentos na zona do Limoeiro. Representam um investimento global de 15,5 milhões de euros. Os três apartamentos do Limoeiro deverão ser entregues já em Outubro deste ano, enquanto a conclusão das restantes 55 habitações está prevista para 2027. Nunca o Município teve tantos fogos públicos em execução simultaneamente. Nunca!
A este investimento juntam-se agora mais 47 habitações, através do concurso público internacional lançado na passada semana e dividido em três lotes: cinco moradias na Quinta Grande, 12 apartamentos no Curral das Freiras e 30 apartamentos no Rancho, em Câmara de Lobos. Com um valor superior a 13 milhões de euros, este é também o maior concurso de empreitada alguma vez lançado pela autarquia, estando a conclusão das habitações prevista para 2028. Uns dirão que é pouco, sabemos disso, porque estão habituados a viver no mundo mágico da Cinderela. Por mim podem continuar nessa viagem do facilitismo que por cá a nossa missão é de proporcionar soluções sem ser demagógico.
Na verdade, não estamos perante uma intervenção isolada, concentrada num único local ou destinada a responder apenas a uma necessidade imediata. Temos 105 habitações em diferentes fases de desenvolvimento, distribuídas por várias freguesias e apoiadas por um volume de investimento sem precedentes. Ao concretizarmos esta estratégia, o parque habitacional municipal passará para mais do dobro da dimensão que tinha no início deste percurso.
Os números são importantes porque permitem avaliar o esforço realizado, mas nunca esqueço que, por detrás de cada número, existe uma pessoa. Cada fogo representa uma família que poderá ganhar estabilidade, um jovem que poderá conquistar autonomia, um casal que terá condições para iniciar uma vida em comum ou uma criança que poderá crescer num ambiente mais seguro.
É essa dimensão humana que dá verdadeiro sentido aos 28,5 milhões de euros investidos. É verdade que, no mundo mágico e colorido da política sem responsabilidades, 105 novas habitações públicas podem parecer pouco. Nesse lugar encantado, as obras fazem-se sem dinheiro e inauguram-se casas imaginárias com extraordinária rapidez. Basta olhar para alguns concelhos para perceber como esse método tem produzido resultados igualmente imaginários. Em Câmara de Lobos preferimos a realidade, por menos vistosa que seja procurando terrenos, preparando projetos, garantindo financiamento, lançando empreitadas e construindo casas onde, de facto, possam viver famílias.
Mas temos consciência de que há ainda muito por fazer. As necessidades habitacionais acumuladas são significativas e nenhuma pessoa responsável poderá afirmar que um investimento, por maior que seja, resolverá sozinho um problema desta dimensão. Reconhecer o caminho que falta percorrer não diminui aquilo que está a ser feito. Pelo contrário, explica a celeridade que estamos a imprimir a esta resposta.
É precisamente porque conhecemos as dificuldades das famílias que não podemos adiar decisões. Em poucos meses, acelerámos as obras em curso, preparámos novos procedimentos e lançámos o maior concurso de empreitada da história do Município. Esta celeridade não significa abdicar do rigor. Significa tratar a habitação com a urgência e a prioridade que merece, aproveitando os recursos disponíveis e transformando-os em respostas concretas.
A estratégia continuará com novos projetos no Jardim da Serra, no Estreito e em Câmara de Lobos. Vamos igualmente apoiar as cooperativas através de incentivos e programas próprios, porque o aumento da oferta habitacional exige a participação de diferentes entidades e a utilização de vários instrumentos. Ao Município compete liderar este esforço, criar condições e garantir que cada solução é financeira e socialmente sustentável.
Sempre entendi que um Concelho não se valoriza apenas pelas obras que inaugura, mas sobretudo pelas condições que cria para as pessoas construírem aqui o seu futuro. Podemos melhorar acessibilidades, modernizar equipamentos e qualificar o espaço público, mas esse desenvolvimento ficará incompleto se um jovem não conseguir viver perto da sua família ou se quem trabalha em Câmara de Lobos tiver de procurar casa longe do concelho.
Investir em habitação é, por isso, cativar e valorizar pessoas. É dar razões para ficar, condições para regressar e confiança para começar um novo projeto de vida. É proteger a ligação às freguesias, fortalecer as redes familiares e assegurar que o crescimento de Câmara de Lobos não acontece à custa da saída daqueles que dão vida ao Concelho.
Ultrapassar as 250 habitações públicas municipais será um marco histórico. Ainda assim, o resultado mais importante não estará nas estatísticas nem no valor das empreitadas. Estará em cada porta que se abrir, em cada família que encontrar estabilidade ou em cada pessoa que puder continuar a chamar Câmara de Lobos de casa.
É para isso que cá estamos.