Greve dos tripulantes da easyjet arranca apenas com os serviços mínimos
No Aeroporto da Madeira, a primeira das 7 chegadas da companhia previstas para hoje, já se concretizou
O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) apontou hoje para uma grande adesão no primeiro dos cinco dias de greve dos tripulantes da easyJet, adiantando que apenas estão a ser realizados os serviços mínimos.
Em declarações à agência Lusa, cerca das 07:15, o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, adiantou que a greve já está a ter grande impacto com o cancelamento de 80% dos voos para os cinco dias de paralisação.
De acordo com Ricardo Penarroias, começaram a sair os primeiros voos que vão ser realizados como serviços mínimos que estavam planeados e um do Porto em que a empresa vai substituir grevistas, pelo que o sindicato vai utilizar os meios legais "para punir a empresa".
"Neste momento estão previstos sair os serviços mínimos e um voo que vai sair do Porto em que a empresa vai utilizar a ilegalidade para poder realizar o voo utilizando as chefias locais (...). A empresa optou mais uma vez por contornar a greve com ilegalidade e, por isso, vamos utilizar os meios legais para punir a empresa de mais um ato ilegal em períodos de greve", disse.
Ricardo Penarroias adiantou que o Sindicato vai avançar com uma queixa na Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e nos tribunais.
"Já temos algumas ações em tribunal exatamente contra a substituição de grevistas noutras greves. É uma pratica recorrente por parte da empresa que prefere pagar multas do que cancelar o voo", afirmou.
Na origem da greve estão, entre outras reivindicações, a estabilidade das escalas, a progressão remuneratória em função da antiguidade e as condições propostas no âmbito da negociação do Acordo de Empresa.
"Em primeiro lugar por causa do atraso nas negociações pelo acordo de empresa. A proposta que a empresa entregou está muito abaixo do que era suposto quando estamos a falar de bases das mais rentáveis da rede da easyJet. A proposta que apresentou em agosto foi chumbada por esmagadora maioria e está abaixo do que é praticado na aviação em Portugal e muito mais muito abaixo do que se pratica a nível europeu, disse.
Na opinião do presidente do Sindicato, a empresa não pode ter lucros astronómicos em Portugal e não pagar em consonância com isso mesmo.
"O outro motivo tem a ver com uma questão operacional, tal como ocorreu em 2024 em que os tripulantes fizeram greve, em que a empresa em nome do lucro, da não contratação provoca um desgaste tremendo físico e mental com alterações constantes para os seus voo. Um triplamente não consegue ter controlo sobre a sua vida pessoal, familiar", disse.
A greve dos tripulantes de cabine da easyJet arrancou hoje e prolonga-se até terça-feira, com 80% dos voos já cancelados.
De acordo com o Sindicato, estão já cancelados 443 voos das bases de Lisboa, Porto e Faro previstos para os cinco dias de paralisação.
O sindicato admite que outros voos ainda programados possam ser afetados pela greve, embora alguns possam ser assegurados por aeronaves e tripulações de outras bases europeias.
Por sua vez, fonte oficial da easyJet disse na quinta-feira à Lusa que prevê operar cerca de 55% da sua programação durante o período de greve, explicando que, além dos serviços mínimos, que correspondem a cerca de 22% da atividade baseada em Portugal, mantém voos de e para o país operados por outras bases europeias.
A companhia garante que essa operação é feita "em total conformidade com a legislação e regulamentos aplicáveis", enquanto o SNPVAC considera "ilegal" a utilização de trabalhadores de outras bases para substituir grevistas e admite avançar para tribunal.
Os tripulantes da easyJet marcaram também greve para os dias 19 a 23 de Dezembro.