ONU alerta para risco de regresso a guerra intensa no Iémen
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu hoje às partes em conflito no Iémen que cessem imediatamente qualquer ofensiva suscetível de provocar o regresso a uma guerra em larga escala.
"Peço a todas as partes para cessarem imediatamente qualquer ação que possa mergulhar o Iémen novamente num conflito em larga escala", afirmou Turk, em comunicado, depois de vários anos de relativa calma no país.
O apelo surge numa altura em que os rebeldes huthis, apoiados pelo Irão, intensificaram as operações contra zonas controladas pelo Governo iemenita internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita.
Os huthis lançaram hoje dois mísseis balísticos contra posições governamentais na região estratégica do estreito de Bab al-Mandeb, no âmbito de uma escalada dos combates na costa iemenita do mar Vermelho, disseram fontes militares.
Segundo as mesmas fontes, os projéteis foram disparados de posições controladas pelos rebeldes a leste da cidade de Taiz, não existindo ainda informações sobre os alvos atingidos ou eventuais vítimas e danos.
Os ataques integram uma série de operações dos huthis contra posições e instalações ao longo do estreito de Bab al-Mandeb e na costa sul do mar Vermelho, controladas pelas forças governamentais, particularmente na cidade portuária de Moka e nas áreas circundantes.
O estreito liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico e constitui uma passagem fundamental na rota marítima entre a Europa e a Ásia através do canal do Suez.
A segurança de Bab al-Mandeb ganhou ainda maior importância devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, numa altura em que a passagem é utilizada por cerca de 15% do comércio marítimo mundial.
Nos últimos dias, os confrontos entre os huthis e as forças governamentais intensificaram-se em várias frentes, sobretudo na costa ocidental e nas proximidades de Moka e de Bab al-Mandeb.
No domingo, o porta-voz militar do Governo iemenita, Majid al-Nuzaili, afirmou que as forças governamentais realizaram 181 operações contra posições rebeldes, que provocaram várias mortes.
Os huthis têm também atacado Moka e a cidade petrolífera de Marib com mísseis balísticos e drones.
Os rebeldes controlam Sana, a capital do Iémen, e grande parte do norte e oeste do país desde finais de 2014, enquanto as forças alinhadas com o Governo mantêm, entre outras áreas, posições ao longo da costa ocidental.
As duas partes evitaram, desde a trégua mediada pelas Nações Unidas em 2022, um regresso aos níveis de violência registados nos anos anteriores, apesar de confrontos esporádicos terem continuado em várias frentes.