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Guerra no Irão Mundo

Trump reitera que EUA têm controlo de estreito de Ormuz

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O Presidente Donald Trump reiterou hoje que os Estados Unidos têm o controlo do estreito de Ormuz, o que o Irão rejeita, e invocou mesmo a possibilidade de declarar aquela via estratégica "território dos Estados Unidos". 

"Assim que derrotarmos o Irão (...), em breve declararei o estreito de Ormuz como território dos EUA", disse Trump, com um ligeiro sorriso, num comício em Garden City, perto de Nova Iorque. 

Trump reiterou que os Estados Unidos têm "controlo" do estreito de Ormuz, uma alegação que Teerão rejeita. 

Na prática, a passagem estratégica para o comércio global de petróleo está bloqueada pelo Irão desde o início da guerra, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos. 

Dois navios da companhia petrolífera dos Emirados Árabes Unidos ADNOC foram atacados na última noite quando transitavam pelo estreito de Ormuz, sem causar vítimas, segundo o governo emirati, que responsabilizou o Irão pelo ataque.

Em Garden City, o Presidente norte-americano defendeu ainda a sua decisão de entrar em guerra para impedir o Irão de adquirir armas nucleares, dizendo que "nunca pedirá desculpas" por isso, apesar do aumento dos preços dos combustíveis enfrentado pelos norte-americanos. 

O Irão "nunca terá armas nucleares", afirmou Donald Trump. 

"Se tiver de pagar um pouco mais" pela gasolina, "está bem", declarou. "Tomei a decisão certa", frisou Trump. 

Em comparação com os níveis pré-guerra, os preços da gasolina nos Estados Unidos subiram mais de 35% na sexta-feira. 

O conflito é impopular e a insatisfação das famílias com o custo de vida fez com que a popularidade de Trump caísse a pique. 

Esta defesa do conflito no Irão surge pouco depois de o vice-presidente JD Vance ter feito um discurso algo diferente sobre os objetivos que estão a ser prosseguidos. 

"Os preços do petróleo caíram e estão muito mais baixos do que os picos atingidos no início do conflito. Esse é o objetivo número um: manter o petróleo e a gasolina baratos para os americanos", disse à Fox News. 

"E o segundo objetivo é, obviamente, garantir que o Irão nunca adquira armas nucleares", acrescentou JD Vance, afirmando acreditar que ambos os objetivos estão a ser alcançados. 

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos (EUA) ameaçou na quinta-feira o Irão com isolamento económico "como o mundo nunca viu", apesar de Washington ter prometido, no início de agosto, um acordo para reabrir o estreito de Ormuz. 

"Será uma combinação de isolamento económico como o mundo nunca viu e a continuação do bloqueio do estreito de Ormuz, que impedirá a entrada ou saída de qualquer coisa dos portos iranianos", disse Scott Bessent. 

Numa entrevista à emissora conservadora norte-americana Newsmax, o dirigente prometeu novas medidas sem especificar de que natureza: "Fiquem atentos, mais anúncios virão na próxima semana". 

Em 04 de agosto, Bessent mencionou um possível acordo com Teerão "hoje ou amanhã" para reabrir Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos.   

A nova escalada da retórica ocorre à medida que a guerra, desencadeada no final de fevereiro por uma ofensiva lançada pelos EUA e por Israel contra o Irão, se aproxima do sexto mês. 

O memorando de entendimento alcançado em junho para pôr um fim definitivo ao conflito falhou no início de julho, antes de Donald Trump suspender os ataques no final do mês, condicionando a pausa à rápida conclusão de um acordo. 

Qualquer acordo teria de incluir a abertura "completa e total" do estreito de Ormuz e "o fim da ameaça nuclear iraniana", declarou o Presidente dos EUA a 01 de agosto. 

Desde então, o líder norte-americano parece favorecer uma abordagem mais cautelosa, baseada na pressão económica. 

O estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra, continua a ser o ponto de maior tensão.