Estreito de Ormuz desminado e aberto à navegação
O Presidente norte-americano, Donald Trump, reivindicou hoje controlo do estreito de Ormuz, declarando-o desminado e aberto à navegação comercial, que tem sofrido ataques do Irão.
"Está aberto agora (...) a Marinha dos Estados Unidos é a única que controla o Estreito de Ormuz neste momento", declarou Trump numa conferência na Casa Branca.
A República Islâmica colocou "ocasionalmente" minas marítimas no estreito, mas as forças norte-americanas retiraram-nas completamente da via marítima, adiantou.
O Irão, que negoceia com o seu vizinho Omã um possível acordo sobre a passagem de navios comerciais no estreito, divulgou no passado sábado uma lista de exigências que os Estados Unidos devem cumprir para que o tráfego marítimo seja reaberto nesta importante via navegável para o comércio global de petróleo.
As exigências incluem o fim do bloqueio naval e das sanções ao país, o descongelamento de fundos iranianos e indemnizações pelos danos causados pelos ataques contra o país pelos Estados Unidos e Israel, iniciados a 28 de fevereiro.
Através da sua rede Truth Social, Trump respondeu hoje que a exigência de uma indemnização será feita também por Washington, firmemente em quaisquer negociações.
"Da mesma forma, também exijo reparações ao Irão por todas as pessoas que mataram e feriram", declarou Trump, incluindo "as famílias daqueles que morreram no 'USS Cole'", um navio de guerra norte-americano atingido por um ataque em 2000 ao largo do Iémen.
Os Estados Unidos e o Irão assinaram em junho um memorando de entendimento que previa um cessar-fogo imediato na guerra iniciada pela ofensiva aérea israelo-americana e a abertura de um período de dois meses de negociações para se alcançar um acordo de paz definitivo.
As hostilidades recomeçaram entretanto e os países mediadores do Médio Oriente têm procurado devolver as partes ao diálogo, centrado no levantamento dos bloqueios do Irão ao estreito de Ormuz e dos Estados Unidos aos portos iranianos, no programa nuclear iraniano e no fim das sanções à República Islâmica, que exige igualmente reparações pela destruição causada durante os cinco meses de ataques aéreos.
Trump foi também questionado na Casa Branca sobre a sua relação com Benjamin Netanyahu, após o primeiro-ministro israelita ter rejeitado o mais recente plano norte-americano para Gaza.
Segundo o Presidente norte-americano, as relações com Netanyahu continuam "muito boas".
Em abril, Trump acusou Netanyahu, em termos invulgarmente duros, de minar as negociações para um cessar-fogo com o Irão.
No domingo, o primeiro-ministro israelita afirmou que "Israel rejeita" o mais recente roteiro de paz apresentado por Washington, aceite pelo Hamas, e condicionou qualquer retirada israelita a um desarmamento real do movimento islâmico.
"Israel rejeita o documento de 15 pontos" apresentado no final de julho pelo "Conselho de Paz" de Donald Trump, afirmou Netanyahu durante uma reunião do executivo.
O primeiro-ministro israelita insistiu que as forças armadas israelitas "não farão qualquer retirada" do território palestiniano enquanto o Hamas não for verdadeiramente desarmado".
As declarações surgem após o diretor-geral do Conselho de Paz para Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, ter confirmado que o Governo israelita, através do gabinete de segurança presidido por Netanyahu, tinha dado "luz verde" à entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, a missão de paz organizada pelo próprio Trump.