Gronelândia adia início de polémico projecto petrolífero dos Estados Unidos
A Gronelândia forçou o adiamento de um polémico projeto petrolífero conjunto dos Estados Unidos e Reino Unido devido à impossibilidade de concluir a tempo o processo administrativo e emitir as licenças necessárias.
"O Governo da Gronelândia (Naalakkersuisut) estimou que as atividades de exploração propostas pela White Flame Energy, em Nunap Qeqqa, não serão possíveis no inverno de 2026/27. O processo necessário não pode ser concluído e, portanto, as licenças necessárias não estarão prontas antes do início planeado", lê-se num comunicado do executivo.
As autoridades gronelandesas já tinham enviado uma forte reprimenda àquela empresa, na semana passada, por transferir material sem autorização para realizar perfurações naquela zona da costa leste.
A empresa reiterou a sua intenção de continuar com o projeto apesar do adiamento, conforme foi noticiado hoje pela televisão pública gronelandesa NRK.
A White Flame é uma subsidiária da petrolífera britânica 80 Mile, que estabeleceu uma aliança no ano passado com a recém-criada Greenland Energy Company, uma empresa norte-americana que atua como investidora e operadora do projeto.
Os acionistas da Greenland Energy incluem o milionário Kenneth Griffin, com ligações à Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump.
A White Flame possui três licenças de prospeção, emitidas antes do Governo da Gronelândia suspender em 2021 a concessão de novas licenças.
As grandes multinacionais adquiriram licenças na década anterior, quando a Gronelândia abriu uma área da ilha à exploração e especulou-se sobre enormes reservas no fundo do mar, mas nenhuma encontrou petróleo e muitas licenças acabaram por ser devolvidas.
As autoridades gronelandesas sublinharam que, numa reunião realizada com os promotores deste atual projeto, no mês passado, manifestaram as suas dúvidas sobre os planos da empresa.
"Na reunião foi manifestada preocupação com o plano rígido e foi revisto o processo administrativo necessário antes da aprovação da perfuração. E insistiu-se que embora a empresa tivesse alternativas diferentes ao plano, existe um processo estabelecido por lei que não pode ser alterado", referiram.
O projeto não foi bem recebido nesta ilha de dois milhões de quilómetros quadrados com pouco menos de 57.000 habitantes, e em várias cidades da Gronelândia houve manifestações devido ao receio das possíveis consequências ambientais.
A insistência repetida de Trump, no ano passado, de que o seu país precisava de anexar a Gronelândia por razões de segurança nacional colocou o Reino dinamarquês sob uma pressão invulgar.
A tensão foi reduzida após o anúncio, no final de fevereiro, de um pré-acordo com a NATO para reforçar a segurança no Ártico e o início das reuniões do grupo de trabalho de alto nível acordado pelas três partes .
Este grupo realizou várias reuniões, cujo conteúdo não foi revelado, embora os meios de comunicação tenham salientado que os Estados Unidos poderiam abrir mais bases militares na ilha, ao abrigo de um acordo de defesa assinado há várias décadas com a Dinamarca.
Tanto a Dinamarca como a Gronelândia insistiram que as negociações não podem ultrapassar as "linhas vermelhas" sobre a soberania, a integridade e o direito à autodeterminação da Gronelândia.