DNOTICIAS.PT
Mundo

Empresa dos EUA desembarca sem autorização equipamento de perfuração

None
Foto Shutterstock

A empresa norte-americana Greenland Energy desembarcou, sem autorização, equipamento para perfurações exploratórias na costa leste da Gronelândia, território autónomo dinamarquês cobiçado pelo Presidente dos Estados Unidos.

A empresa texana, criada há um ano, tem insistido repetidamente não ter qualquer ligação com as ambições territoriais de Donald Trump, e garantiu que se trata apenas de uma etapa preliminar para as atividades de exploração em Nunap Qeqqa (Jameson Land).

Esta empresa desembarcou equipamento de perfuração sem autorização na semana passada, o que levou a um aviso por parte do governo gronelandês.

À imprensa, a Greenland Energy afirmou acreditar que a autorização para desembarcar e armazenar o equipamento, que se encontrava noutra parte da Gronelândia, só era necessária na zona abrangida pela licença.

"Foi um erro da nossa parte, um erro que não se repetirá", reconheceu, no final de julho, na televisão pública dinamarquesa DR, o diretor-geral, Roderick McIllree.

O material encontra-se atualmente armazenado num hangar do aeroporto de Nerlerit Inaat, perto da aldeia de Ittoqqortoormiit, mais próxima da zona abrangida pela licença.

A Greenland Energy, cujo presidente é apresentado como próximo de Trump, recebeu uma "advertência severa" do governo da Gronelândia, acompanhada do "lembrete de que todas as futuras operações logísticas deverão ser comunicadas e aprovadas pela autoridade competente em matéria de recursos antes de serem executadas".

Embora a Gronelândia tenha suspendido em 2021 as licenças para exploração de petróleo, num território muito afetado pelas alterações climáticas, a empresa britânica 80 Mile já tinha licenças para a exploração deste jazigo de petróleo em Jameson Land.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a empresa do Texas indicou que visa adquirir uma participação maioritária no projeto em troca do financiamento da exploração, embora ainda necessite de autorização do governo para avançar.

As licenças de exploração, ao abrigo das quais a Greenland Energy opera, foram emitidas em 2015 e 2018, e continuam válidas.

Numa altura em que Trump, de 80 anos, continua a querer controlar a gigantesca ilha ártica, a possibilidade de se concretizarem operações de exploração de hidrocarbonetos conduzidas por uma empresa norte-americana causa algum mal-estar entre as autoridades gronelandesas e dinamarquesas.

As atividades estão sujeitas a autorizações específicas e a Greenland Energy continua à espera de obter "luz verde" total para começar rapidamente a perfurar, a fim de determinar a qualidade do potencial jazigo.

"Continuamos otimistas pelos progressos alcançados no sentido de obter as últimas autorizações necessárias para a perfuração", afirmou a Greenland Energy numa carta aos acionistas.

O Governo da Gronelândia mostrou-se menos otimista.

"Tendo em conta a situação atual, considero não ser realista que a empresa consiga perfurar no outono", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mute Egede, que tem a pasta dos recursos naturais da ilha, à televisão gronelandesa KNR.

Os estudos ambientais e sociais necessários para a validação do projeto ainda não foram apresentados, salientou o governo da Gronelândia.

Em Ittoqqortoormiit, mais de uma centena de pessoas, entre os 325 habitantes desta aldeia, manifestou-se em meados de julho para se oporem ao projeto, noticiou a KNR.

O Instituto Geológico da Dinamarca e da Gronelândia (GEUS) estimou que a região possa conter 2,35 mil milhões de barris equivalentes de petróleo, um volume considerável à escala de um projeto petrolífero, mas limitado quando comparado com as reservas mundiais.

No início do mês passado, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reiterou que a ilha autónoma "não está à venda", depois de Trump ter insistido que Washington devia controlar o território.

Neste desembarque chegaram também à ilha figuras muito favoráveis à administração Trump, uma delas o conhecido ex-apresentador Dr. Phil, contratado pela Greenland Energy para realizar uma série documental sobre os "exploradores de petróleo dos tempos modernos", avançou o The Guardian.

Outra personalidade ligada à administração norte-americana e que desempenhará um papel de administrador será um veterano da Marinha dos Estados Unidos que estará a trabalhar no 'Golden Dome', a versão norte-americana do escudo antimísseis israelita 'Iron Dome', para o qual Trump argumenta que o controlo da Gronelândia é essencial, acrescentou o jornal.