Autoridades espanholas instalam barreira flutuante em Melilla
O Ministério do Interior espanhol instalou uma barreira flutuante no mar em Melilla, semelhante à implantada em Ceuta após a entrada na cidade autónoma de dezenas de milhares de migrantes a 30 de julho.
A barreira já está instalada no final do quebra-mar sul de Melilla, um cais com 500 metros de comprimento que serve de fronteira terrestre e marítima na parte sul da cidade, separando-a do porto marroquino de Nador, segundo a agência EFE.
A estrutura complementa a vedação temporária instalada na semana passada ao longo do troço final do quebra-mar sul, que anteriormente não possuía perímetro fronteiriço.
Em caso de tentativa de entrada irregular pelo mar, a nova barreira facilitará a repulsão de pessoas na fronteira.
Segundo fontes policiais citadas pela EFE, a instalação destas barreiras foi consequência da decisão do Supremo Tribunal que proíbe a expulsão na fronteira de quem tenta atravessar a nado até Ceuta e Melilla.
O quebra-mar sul da cidade autónoma encontra-se atualmente encerrado ao trânsito de veículos e peões, por motivos de segurança.
No final de julho, cerca de 72 mil pessoas entraram em Ceuta em 24 horas, tendo a maior parte posteriormente voltado a Marrocos, segundo dados das autoridades de Espanha.
Segundo indicaram hoje fontes policiais à EFE, dos 10.000 migrantes que, segundo as autoridades, permanecem em Ceuta após o fluxo maciço vindo de Marrocos, mais de 600 abandonaram a cidade voluntariamente nas últimas 48 horas.
As mesmas fontes explicaram que o regresso está a ocorrer gradualmente e deve-se, entre outras razões, à constatação dos migrantes de que não poderão viajar para Espanha continental e que, em última instância, terão de regressar a Marrocos.
Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Ceuta e Melilla, dois enclaves espanhóis no norte da África, constituem as únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano.
Na terça-feira, o ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, afirmou na emissora pan-árabe Asharq News que Rabat mantém viva a reivindicação histórica sobre Ceuta e Melilla, e que o assunto "continua pendente e em cima da mesa" sempre que representantes de ambos os países se reúnem.
Ouahbi fez referência a uma estratégia "de longo prazo" para recuperar, pela via do diálogo, o que considera ser território marroquino.
O governo de Melilla rejeitou hoje as reivindicações soberanistas de Marrocos sobre as cidades autónomas espanholas e defendeu que a origem da sua hispanidade remonta a quase 530 anos, quando "o reino de Marrocos nem estava nem era esperado".
Questionado pelos jornalistas, o primeiro vice-presidente de Melilla, Miguel Marín, reagiu hoje defendendo que "não há nada para negociar, nem com diálogo nem sem diálogo", seja do ponto de vista histórico, jurídico ou político.
"Melilla é Espanha e continuará a ser Espanha durante centenas e centenas de anos, como tem acontecido até à data. Desde 1497, estamos a falar de que caminhamos já para os 530 anos", disse Miguel Marín, afirmando estar convencido de que "duvidar da hispanidade de Melilla revela um desconhecimento total e absoluto".
"O que é preciso reclamar e negociar é a transferência para Marrocos de todos os migrantes que chegaram à nossa cidade de forma irregular", acrescentou Marín, reclamando que isso seja feito "com a máxima celeridade possível" e "evitando, na medida do possível, que tal volte a acontecer".