DNOTICIAS.PT
Mundo

Marrocos reforça segurança em zonas próximas de Ceuta e Melilla

None
Foto EPA/GINER

Marrocos reforçou a segurança nas zonas próximas de Ceuta e Melilla para intercetar potenciais migrantes irregulares, num contexto de apelos nas redes sociais para organizar uma nova entrada em massa nas cidades autónomas espanholas no sábado.

Os serviços de segurança marroquinos estão a intercetar diariamente pessoas que pretendem migrar nas estradas que conduzem às zonas próximas de Ceuta e Melilla, sendo devolvidas às cidades de origem, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.

A província de Nador, limítrofe com Melilla, regista também um importante destacamento das diferentes forças de segurança, tendo sido instalados controlos policiais nos acessos à cidade homónima.

O presidente da secção da Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH) em Nador, Said Haddad, denunciou que "a transferência de migrantes da província de Nador é uma prática que vem ocorrendo desde antes mesmo dos últimos acontecimentos".

Haddad acrescentou que existem "locais ilegais onde os jovens intercetados são concentrados antes de serem transferidos para fora da província", uma prática realizada diariamente e sobre a qual já tinham escrito ao Ministério Público de Marrocos.

O responsável da AMDH salientou que as transferências forçadas para cidades como Casablanca e Beni Melal não terminam no centro das cidades de origem, mas sim a vários quilómetros de distância, "com o objetivo de esgotar" os migrantes.

"Entretanto, as detenções e as operações de transferência para fora da província continuam ao longo de todo o dia", disse.

Apesar do forte destacamento policial, os apelos para tentar uma nova entrada em massa em Ceuta e Melilla a 15 de agosto continuam a multiplicar-se nas redes sociais marroquinas.

Perante esta situação, a Embaixada de Espanha em Marrocos voltou a divulgar uma mensagem, nas redes sociais, a esclarecer que a entrada irregular em Ceuta ou Melilla não confere o direito de permanecer em Espanha nem de aceder ao resto da Europa.

"Qualquer informação em contrário é falsa", destacou.

Na segunda-feira, a Direção-Geral da Guarda Civil espanhola anunciou ter suspendido as férias, licenças e dispensas dos agentes destacados nos comandos de Ceuta e Melilla.

Também o Comando-Geral de Ceuta ordenou o cancelamento de todas as licenças dos militares destacados na cidade autónoma a partir da próxima quinta-feira.

Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas no final de julho e 70.000 voltaram posteriormente a Marrocos, segundo dados das autoridades de Espanha.

Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes que está localizado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.