Ceuta tenta regressar à normalidade e Melilla vive noite tranquila
Os habitantes de Ceuta tentam hoje regressar à normalidade em plena crise migratória no enclave espanhol, enquanto Melilla passou a segunda noite consecutiva de forma tranquila, disseram fontes oficiais e a imprensa.
A cidade autónoma de Ceuta começa a regressar à normalidade com a retirada gradual dos migrantes em direção a Marrocos, o aumento da segurança em pontos estratégicos e a diminuição da tensão em torno das manifestações realizadas nos últimos dias na praça dos Reis, no centro da cidade, de acordo com a agência de notícias EFE.
Os habitantes de Ceuta estão a tentar retomar a normalidade, entretanto, ainda há alguma relutância das pessoas em sair de casa e os restaurantes e as praias estão mais vazios do que o habitual para a época.
A entrada de cerca de 80 mil migrantes vindos de Marrocos, que começou na quinta-feira, coincidiu com aqueles que seriam os primeiros dias da feira da cidade, que teve de ser cancelada.
O governo de Ceuta elevou para 88 o número de pessoas encontradas mortas nas imediações do quebra-mar fronteiriço de Tarajal.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, referiu hoje que entre 3.000 e 5.000 migrantes permanecem na cidade autónoma espanhola, quatro dias após o fluxo massivo vindo de Marrocos.
Em declarações à Telecinco, divulgadas pela agência de notícias Europa Press, Vivas afirmou que a "integridade territorial" de Espanha foi "violada" em Ceuta "através de uma avalancha de 80 mil pessoas", o que corresponde praticamente à população da cidade.
O presidente da cidade autónoma sublinhou que a situação não é a mesma de quinta e sexta-feira, mas especificou que "devem ser tomadas medidas em várias áreas" para garantir que esta situação "isto não se repita".
Já a fronteira do enclave espanhol de Melilla, que também faz fronteira com Marrocos, passou pela sua segunda noite consecutiva de calma desde o início da crise migratória na passada quinta-feira.
A passagem fronteiriça de Beni-Enzar continua a reabrir gradualmente. Fontes da Delegação do Governo em Melilla informaram à EFE que não há registo de incidentes ao longo do perímetro da fronteira.
Nesta passagem de fronteira, a situação é "quase normal", disseram fontes policiais à EFE, com o trânsito a seguir gradualmente, em grupos de 20 veículos.
Esta medida visa evitar um novo bloqueio fronteiriço e uma "crise humanitária" como a que foi vivida por cerca de 2.000 estrangeiros durante o encerramento de 36 horas, entre a noite de quinta-feira e a manhã de sábado, período em que se acumularam cerca de 700 carros perto da passagem fronteiriça.