UE diz acompanhar "de perto" crise migratória em Ceuta e oferece apoio a Madrid
A Comissão Europeia declarou hoje estar a acompanhar "de perto" a crise migratória em Ceuta, depois de milhares de pessoas vindas de Marrocos terem atravessado a fronteira ilegalmente, e disponibilizou "mais apoio" ao Governo espanhol.
"A Comissão tem prestado apoio operacional e financeiro a Espanha, incluindo em Ceuta. E estamos prontos para oferecer mais apoio a Espanha, tanto financeiramente como através de assistência técnica e operacional adicional, incluindo através da Frontex", disse um porta-voz do executivo da União Europeia (UE) à agência de notícias espanhola EFE.
Milhares de pessoas entraram em Ceuta, enclave espanhol no norte de África, por via terrestre ou a nado, numa crise migratória sem precedentes nos últimos cinco anos, que provocou o caos na fronteira e levou ao colapso dos serviços de acolhimento da cidade.
A Comissão Europeia expressou também satisfação com "a estreita cooperação entre Marrocos e Espanha para lidar com estes fluxos", bem como para "garantir o regresso rápido daqueles que entraram ilegalmente em Ceuta, de acordo com os regulamentos aplicáveis".
"Marrocos é um parceiro chave e de confiança da UE. Nos últimos anos, intensificámos a cooperação em migração e gestão de fronteiras, bem como na luta contra o contrabando. Estamos agora a trabalhar para elevar a nossa relação a uma parceria global e estratégica", acrescentou o porta-voz da UE.
Tanto Espanha como Marrocos atribuíram esta crise migratória em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países.
Os dois governos anunciaram também um acordo para o repatriamento, "o antes possível", das pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular nos últimos dias.
O comissário Europeu para o Interior e Migração, o austríaco Magnus Brunner, falou hoje com o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, a quem transmitiu "a disponibilidade da UE" para aumentar esta colaboração.
O responsável também afirmou que estão em contacto com as autoridades marroquinas "para garantir que todos os esforços necessários são feitos para evitar estas viagens perigosas".
"Proteger as fronteiras externas da UE é uma parte crucial dos nossos esforços para combater a migração ilegal. Estamos em contacto com as autoridades competentes sobre a evolução da situação em Ceuta", disse Brunner numa publicação nas redes sociais.
O Partido Popular Europeu (PPE), grupo maioritário no Parlamento Europeu, anunciou que vai propor um debate para discutir os "fluxos descontrolados de imigrantes irregulares para Ceuta", bem como "a necessidade urgente de reforçar as fronteiras externas da UE, avaliar o efeito de influência das regularizações em massa e a instrumentalização dos migrantes", segundo fontes do partido citadas pela EFE.
"Instamos Espanha a agir AGORA para proteger as nossas fronteiras externas e à Comissão Europeia a tomar as medidas adequadas. O grupo PPE exigirá respostas na próxima sessão plenária", afirmou o PPE nas redes sociais.
A nova crise começou com a chegada gradual de jovens que, desde o início da semana, tentaram alcançar Ceuta a nado, sem que as forças de segurança marroquinas o impedissem.
Nas últimas horas, contudo, vários milhares de pessoas, na maioria jovens, concentraram-se na cidade fronteiriça de Fnideq (antiga Castillejos).
Marrocos não divulgou dados oficiais sobre o número de detidos, pessoas resgatadas ou mortos por afogamento no mar durante esta crise.
O ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, vai deslocar-se na sexta-feira a Ceuta, cidade autónoma que pediu ao Governo espanhol o encerramento da fronteira com Marrocos de forma "urgente e inadiável".