DNOTICIAS.PT
País

Ministro não vê "mínimo motivo" para ser arguido no caso de atrelado apreendido

None
Foto FILIPE AMORIM/LUSA

O ministro da Administração Interna alegou hoje que não vê o "mínimo motivo" para ser constituído arguido no inquérito-crime ao caso do atrelado apreendido pela Polícia Judiciária (PJ) e encontrado na propriedade de um construtor de Barcelos.

"Não vejo mínimo motivo para ser constituído arguido", respondeu Luís Neves, ao ser questionado, numa conferência de imprensa no Ministério da Administração Interna, sobre se tal seria, no seu entender, uma linha vermelha.

Embora reconhecendo que a constituição como arguido é uma possibilidade entre todas as que "existem para todos os cidadãos", Luís Neves insistiu que tomaria hoje, caso ainda fosse diretor da Polícia Judiciária (PJ), a mesma decisão de autorizar o transporte do atrelado, "em prol da poupança do Estado e de encontrar uma solução urgente que permitisse acautelar a guarda daquele património".

Há cerca de duas semanas, a Polícia Judiciária abriu um inquérito sobre um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, em Barcelos, que fez obras numa propriedade de Luís Neves no Alentejo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou "a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'", tendo acrescentado posteriormente que este está a cargo do Ministério Público e que, por agora, a investigação não será delegada em nenhum órgão de polícia criminal, entre os quais se inclui a PJ.

"Não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, não foi beneficiado quem quer que fosse e não há aqui qualquer ligação ao tráfico de droga", salientou hoje o ministro da Administração Interna, diretor da PJ entre junho de 2018 e fevereiro de 2026.

Segundo Luís Neves, a proposta de movimentação do atrelado e de bidões que continham produtos que serviam para produção de droga partiu de um alto quadro da PJ e, na altura, "não havia outra opção" para guardar o material apreendido, uma vez que foram pedidos 150 mil euros para que destruição dos produtos químicos - valor que a PJ não tinha.