DNOTICIAS.PT
Mundo

ONU alerta que epidemia agrava crise alimentar no leste da RDCongo

None
Foto Shutterstock

A epidemia de ébola no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) está a agravar a insegurança alimentar num país que já enfrenta uma das maiores crises humanitárias do mundo, disse hoje um alto funcionário das Nações Unidas.

Em declarações à agência noticiosa Associated Press, o diretor-executivo interino do Programa Alimentar Mundial (PAM), Carl Skau, durante uma visita à província de Ituri, descreveu a situação como "uma crise em cima de outra crise", que agravou uma situação já catastrófica, com mais de cinco milhões de congoleses a enfrentarem níveis de emergência de insegurança alimentar.

O conflito que se prolonga há anos no leste da RDCongo empurrou quase 10 milhões de pessoas para níveis de crise ou de emergência em termos de fome, sendo a província de Ituri, epicentro do surto de ébola, uma das mais afetadas, segundo o PAM.

Nas cerca de 48 zonas de saúde afetadas pelo Ébola, mais de 2,7 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, incluindo 628 mil em situação de emergência, acrescentou a agência da ONU.

"Agora, com a crise do Ébola, a situação está a piorar. Os mercados estão a ser afetados, as rotas de abastecimento também, e as pessoas têm ainda mais dificuldades em conseguir alimentos suficientes", afirmou Skau à AP.

A atual epidemia, considerada o mais rápido da história, registou 1.487 mortes, desde que foi declarada em 15 de maio.

As medidas introduzidas para travar a propagação da doença, incluindo o encerramento de fronteiras e restrições à circulação e às grandes concentrações de pessoas, perturbaram a vida quotidiana e a atividade económica, fazendo subir os preços dos alimentos e dos combustíveis, segundo o PAM.

A agência alimentar das Nações Unidas afirmou ter distribuído até agora mais de 160 mil refeições quentes a doentes, em 17 centros de tratamento e isolamento.

O combate tem sido particularmente difícil porque o vírus Bundibugyo, responsável pela doença, não dispõe de vacinas nem de tratamentos aprovados, ao contrário da maioria dos anteriores surtos na RDCongo.

As autoridades têm alertado que a doença continua a propagar-se mais rapidamente do que a capacidade das equipas de saúde para rastrear os casos, apesar do reforço da resposta.