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Droga apreendida em alto mar terá proveniência na América do Sul

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A Polícia Judiciária (PJ) disse hoje que as mais de duas toneladas de cocaína apreendidas numa lancha em alto mar a sudoeste do Cabo Espichel serão de "organizações criminosas muito poderosas", com alegada proveniência na América do Sul.

"Por trás destes indivíduos agora detidos, por trás desta droga transportada, há organizações criminosas muito poderosas, isso não temos sombra de dúvida. A investigação procurará ir o mais longe possível, mas relembro que o cerne dessas organizações, digamos assim, não estão cá em Portugal", declarou João Oliveira, da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ.

João Oliveira falava numa conferência de imprensa na sede da PJ, em Lisboa, juntamente com responsáveis da Marinha e da Força Aérea, instituições que também participaram na operação policial "Buongiorno", que na quinta-feira intercetou e abordou em alto mar, a cerca de 50 milhas náuticas a sudoeste do Cabo Espichel, uma embarcação de alta velocidade que transportava cerca 2.627 quilogramas de cocaína.

No âmbito da apreensão desta lancha rápida, a PJ admitiu que poderão ter escapado outras embarcações relacionadas como o tráfico de droga, uma vez que na mesma mancha de mar "foram detetados movimentos de outras embarcações", explicando que foi selecionada a embarcação que à partida tinha indícios de estar carregada de produto estupefaciente.

Foram detidos quatro homens de nacionalidade estrangeira, nomeadamente dois espanhóis, um inglês e um albanês, com idades entre os 35 e os 42 anos, adiantou o responsável da PJ, referindo que os suspeitos recolheram às instalações prisionais junto do edifício da PJ e hoje estão no tribunal para serem presentes a primeiro interrogatório judicial.

"Um dos detidos já era alguém referenciado pela Polícia Judiciária como sendo suspeito de estar ligado a estas atividades de tráfico de cocaína por via marítima", referiu João Oliveira, sem adiantar qual a nacionalidade deste suspeito.

Expondo parte da droga apreendida, o responsável da PJ disse que a rotulagem das embalagens dá pistas sobre a sua proveniência, mas escusou-se a partilhar dados concretos para não prejudicar a investigação: "É cocaína que vem da América do Sul e os produtores costumam pôr uma marca, um timbre, uma chancela da sua produção."

Quanto ao valor da droga apreendida, João Oliveira ressalvou que falar de preços "é sempre altamente subjetivo", porque depende de múltiplas variáveis, inclusive o sítio onde é vendida, e adiantou que o grau de pureza da cocaína não está ainda determinado, mas a experiência da PJ, pela forma como vinha embalada, na rota em que estava e o meio empregue para o transporte, aponta para "um grau de pureza muito elevado".

"São muitos milhões, muitos milhões de euros que estão aqui, e quando digo milhões podemos falar de centenas de milhões, preço estimado tendo em conta aquilo que é a venda final ao consumidor, não nos exatos termos em que foi apreendida", expôs, sem revelar o local concreto de proveniência da droga, nem o seu destino final.

A investigação foi iniciada nos últimos dias, na sequência de informação partilhada através do Maritime Analysis and Operations Centre -- Drugs (MAOC-N), no âmbito da cooperação policial internacional e em articulação com as autoridades policiais de Itália.

Em conferência de imprensa, o comandante da Marinha Portuguesa Ricardo Sá Granja referiu que a operação contou com a participação de duas embarcações de alta velocidade da Polícia Marítima, em que houve uma primeira ordem de paragem à lancha suspeita de tráfico de droga, a qual não foi respeitada e, a partir daí, procedeu-se à perseguição da embarcação e, posteriormente, à sua intersecção e abordagem.

Da Força Aérea, Elisabete de Carvalho destacou a cooperação interagências e a partilha de informação "que permitiram o sucesso de toda a operação", sem adiantar detalhes.

Antes das questões dos jornalistas, o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ pediu que as perguntas se cingissem ao desmantelamento desta rede criminosa que introduzia grandes quantidades de droga na Europa, escusando-se a responder sobre o atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga, no final de 2024, e que apareceu nas instalações da Construbarcelos, empresa do empreiteiro João Carvalho, amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves.

"Porque está fora do âmbito desta conferência de imprensa, a Polícia Judiciária não tecerá qualquer comentário", respondeu João Oliveira, recusando também pronunciar-se sobre a ideia de constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da PJ.