Trump vê "boas hipóteses" em negociações com Teerão
O Presidente norte-americano disse hoje que as negociações com o Irão têm "boas hipóteses" de produzir resultados, após uma suspensão de vários dias consecutivos de ataques contra a República Islâmica.
"Veremos o que acontece. Penso que há uma boa hipótese de algo acontecer", declarou Donald Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial.
O Irão avisou, no entanto, não estar envolvido em quaisquer negociações com os Estados Unidos, apesar da recente cessação das hostilidades entre os dois países e dos relatos de contactos dos países mediadores do Médio Oriente com a diplomacia de Teerão.
Se as negociações falharem, o líder norte-americano insistiu na ameaça de que as forças norte-americanas vão retomar os ataques aéreos.
"Voltaremos ao que estávamos a fazer há dois dias", avisou a caminho de um evento em Michigan.
O líder da Casa Branca afastou, por outro lado, quaisquer preocupações sobre uma eventual escassez de munições após vários meses de ataques contra o Irão desde o início da ofensiva israelo-americana, em 28 de fevereiro.
"Temos muita munição", afirmou aos jornalistas no "Air Force One", antes de acrescentar: "Para ser honesto, gostaria que tivéssemos mais, mas já foi dada muita à Ucrânia", referindo-se em tom crítico ao apoio militar a Kiev concedido pelo antecessor, o democrata Joe Biden, nos últimos quatro anos para enfrentar a invasão da Rússia.
Segundo o jornal The New York Times, que cita duas fontes próximas deste assunto, a administração de Washington está preocupada com os 'stocks' cada vez mais curtos de sistemas de mísseis Patriot e outros equipamentos de defesa antiaérea que protegem os países da região do Golfo.
O líder da Casa Branca disse que a indústria de armamento norte-americana está a acelerar a produção, incluindo os sistemas de defesa Patriot.
Antes de se pronunciar no avião presidencial, Trump tinha afirmado, durante uma entrevista ao portal norte-americano Axios, que ordenou a suspensão dos bombardeamentos contra o Irão para dar mais uma possibilidade às negociações de paz.
"Estamos em negociações muito profundas com o Irão. Se não resultarem, voltaremos a tomar medidas militares muito fortes", advertiu durante a entrevista.
Questionado sobre o prazo que está disposto a dedicar à diplomacia, respondeu: "Não muito tempo. Ou avança depressa ou não avança de todo".
O dirigente norte-americano disse ter concordado na passada sexta-feira com a suspensão dos ataques contra a República Islâmica a pedido dos aliados no Médio Oriente, que estão a mediar o conflito.
"Todos os que lidam com o Irão pediram-me: 'Não dispare'", relatou.
Os Estados Unidos realizaram na quinta-feira a última vaga de bombardeamentos contra a República Islâmica, no 13.º dia consecutivo de ataques desde o colapso do cessar-fogo aceite pelas partes em junho, para interromper as hostilidades e como forma de abrir espaço para negociações de um acordo paz definitivo.
As conversações são centradas no levantamento do bloqueio militar do Irão ao tráfego marítimo comercial no estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano.
Segundo o Axios, as negociações estão a ser desenvolvidas sobretudo por Irão e Omã, mas Qatar, Paquistão, Egito e os enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, estão igualmente bastante envolvidos.
O Presidente norte-americano observou ainda que, desde então, os preços do petróleo caíram e o mercado de ações subiu.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã confirmou ter mantido conversas hoje com os homólogos do Irão, Qatar, Kuwait, Arábia Saudita e Egito para debater um "acordo justo" sobre a navegação no estreito de Ormuz.
No final de junho, Omã criou, com o apoio dos Estados Unidos, um corredor marítimo temporário isento de taxas para facilitar a passagem pelo estreito.
O Irão respondeu com ataques a embarcações que utilizavam essa rota, o que levou Washington a intensificar os bombardeamentos em território iraniano.