Autarcas da Guarda, Pinhel e Almeida preocupados com dimensão do fogo
O fogo que começou, na segunda-feira, no concelho da Guarda, e já atingiu os concelhos vizinhos de Almeida, Pinhel e Sabugal, continuava ao fim do dia por dominar e está a preocupar os autarcas.
"O incêndio mantém, às 19:00, três frentes ativas junto às localidades de Castanheira e Rabaça, no concelho da Guarda, de Pínzio, no concelho de Pinhel, e Cabreira, já no concelho de Almeida", segundo fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela.
Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Pinhel, Daniela Capelo, indicou que o combate às chamas tem sido dificultado pela intensidade do vento, que tem mudado constantemente de direção.
"A área do incêndio é muito grande e estamos a tentar contê-lo o mais possível. As condições são severas, a humidade é muito baixa e há muito vento, o que tem feito com que as chamas andem para a frente e para trás", adiantou a autarca.
Daniela Capelo esclareceu que não houve "nenhuma retirada de pessoas" em Pínzio, nem há casas ou povoações em risco no concelho.
"Mantemo-nos todos vigilantes e as forças estão no terreno. Aguardamos que, com o cair da noite, possa haver uma janela de oportunidade para conter a frente de incêndio que está a lavrar em Pínzio e Safurdão", especificou.
Mais crítico estava o autarca da Guarda, Sérgio Costa, que disse à agência Lusa não perceber porque é que o fogo continuava "a lavrar de uma forma incontrolável".
"Há tantos meios no local, houve uma noite inteira. Eu conheço bem o território de que estamos a falar, é íngreme, inóspito, com muito mato e pedra, mas era precisamente durante a noite que tinha se tentar fazer esse trabalho", considerou.
Sérgio Costa admitiu estar "francamente preocupado" com a situação e que já manifestou "essa preocupação" junto do governo porque "não há forma de controlar o incêndio".
"Já está a demorar há tempo demais ali naquela zona. Percebo que é uma zona complicada, mas já passou uma noite e foram mobilizadas centenas de operacionais, não sei quantos meios aéreos, mas o fogo continua a lavrar", lamentou.
Afirmando que "não há assim tantos fogos no país", o autarca lembrou que "as ordens que emanam do Governo são que, quando há poucos fogos, é atacar ao máximo os existentes, que é para acabar com eles no mais curto de tempo".
A situação também está a ser acompanhada "com preocupação" por António José Machado, presidente da Câmara de Almeida.
"O dia de ontem [segunda-feira] até correu bastante bem. Havia previsão de o fogo poder ser praticamente controlado, mas nas primeiras horas de hoje houve várias frentes que acabaram por alargar o perímetro e termos aqui uma situação um pouco grave", declarou à agência Lusa.
O autarca acrescentou que os meios estão "a tentar controlar as chamas da melhor forma possível, mas não chegam para todo o perímetro, que é muito grande".
O presidente da Câmara de Almeida esclareceu que, por "razões preventivas", foram retiradas algumas pessoas "em casos muito específicos", como o dos utentes da ASTA -- Associação Sócio Terapêutica de Almeida, que está sediada na Cabreira.
A evolução do incêndio obrigou, pelas 12:20, ao corte da autoestrada A25 entre os nós da Guarda e do Alto do Leomil (Almeida), bem como da Estrada Nacional (EN) 16, entre o cruzamento da localidade de Amoreira, no concelho de Almeida, e Pínzio, no concelho de Pinhel.
A situação mantém-se e foi alargada à EN 324, entre o nó de acesso à A25 e a aldeia de Leomil.
No caso da A25, a alternativa continua a ser EN 221, que liga a Guarda a Almeida.
O fogo deflagrou pelas 13:51 de segunda-feira no Rochoso (Guarda) e continua a lavrar nos concelhos da Guarda, Almeida e Sabugal.
Cinco bombeiros sofreram ferimentos ligeiros na noite de segunda-feira enquanto combatiam as chamas.
Pelas 21:30 estava a ser combatido por 731 operacionais e 226 viaturas. Por ser de noite, os meios aéreos já foram retirados.