Netanyahu elogia "uma das melhores conversas" que já teve com Trump
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, elogiou o encontro hoje mantido em Washington com o Presidente norte-americano, Donald Trump, como "excelente" e uma das melhores conversas que já teve com ele.
"Foi uma das melhores conversas que já tive com o nosso amigo, o Presidente dos Estados Unidos, Trump", comentou o líder israelita através de um vídeo, antes de se dirigir para uma cerimónia em memória do falecido senador republicano Lindsey Graham.
Após o encontro na Sala Oval da Casa Branca, Netanyahu destacou "uma reunião de total cooperação", bem como o "apoio mútuo, com entendimento sobre o objetivo comum de que o Irão não terá armas nucleares" e também sobre outros temas que não especificou.
Foi a primeira reunião presencial dos dois dirigentes desde que lançaram, em 28 de fevereiro, uma ofensiva militar contra o Irão e a oitava desde que Trump regressou ao poder, em janeiro de 2025, embora ambos relatem conversas telefónicas frequentes, ultimamente marcadas por divergências sobre a estratégia para o conflito no Médio Oriente.
Segundo o primeiro-ministro israelita, o encontro de hoje foi "uma oportunidade para trocar ideias e também para coordenar ações importantes para a segurança e o futuro" do seu país.
Uma fonte da comitiva de Netanyahu referiu-se entretanto a uma reunião "extremamente positiva" hoje em Washington, na qual os dois líderes reafirmaram oposição à aquisição de armas nucleares pelo Irão.
"O primeiro-ministro e o Presidente tiveram uma excelente e profunda discussão sobre os principais assuntos da atualidade, principalmente o Irão", disse a fonte, que acompanhou o dirigente israelita na deslocação à Casa Branca, num texto divulgado aos jornalistas.
Anteriormente, Casa Branca tinha difundido uma breve nota a dar conta de uma reunião "positiva e construtiva", que decorreu à porta fechada ao longo de cerca de uma hora e meia.
"O Presidente Trump acaba de concluir as suas reuniões na Sala Oval com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro Netanyahu. Ambas as reuniões foram positivas e construtivas", escreveu a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na rede social X.
Por sua vez, antes do vídeo, Netanyahu publicou várias fotografias nas redes sociais, sentado ao lado de Trump na Sala Oval, em que ambos aparecem sorridentes.
O encontro contou com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, do chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, do secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, e do enviado da Casa Branca Steve Witkoff.
O último encontro presencial teve lugar em 11 de fevereiro na Sala Oval, a poucas semanas do ataque ao Irão.
Cinco meses mais tarde, Trump procura uma solução negociada para um conflito impopular no seu país e que fez disparar os preços dos bens petrolíferos, além de provocar desentendimentos com vários aliados e com o próprio Netanyahu, com o qual reconheceu, na segunda-feira, ter "pequenas diferenças", ainda que ressalve que os dois partilham posições "muito próximas" sobre a guerra.
Entretanto, avisou o líder israelita que ninguém pode ditar as armas que os Estados Unidos vendem a outros países, quando questionado sobre a oposição de Israel a uma possível transferência de caças F-35 para a Turquia.
Já hoje e a poucas horas da reunião na Casa Branca, Trump expressou desagrado com a divulgação pelo primeiro-ministro israelita da fortificação de um 'bunker' nuclear iraniano, acusando-o de tentar manter os Estados Unidos em guerra com a República Islâmica.
O executivo de Netanyahu não esconde pelo seu lado o desejo de prosseguir a ofensiva contra o seu principal adversário na região.
O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou hoje que o seu país está "muito ansioso" com o regresso da ofensiva, mas que os Estados Unidos estão a adiá-lo por receio de represálias contra aliados na região e de uma crise global no abastecimento de petróleo.
O líder da Casa Branca disse na segunda-feira que ordenou a suspensão de vagas consecutivas de bombardeamentos contra o Irão, a pedido dos países mediadores do Médio Oriente, com vista a dar mais uma oportunidade à diplomacia.
Esperava-se que as discussões de hoje na Casa Branca se concentrassem no Irão, mas também no acordo patrocinado por Washington entre Israel e o Líbano e outros temas regionais como a situação na Faixa de Gaza e a expansão dos Acordos de Abraão sobre a normalização das relações de Telavive com os vizinhos árabes.